Informação sustentável para uma vida mais consciente

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A opinião de quem sabe
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Pedro Norton de Matos

Gestor e fundador do Greenfest

A maior crise pandémica das últimas décadas paralisou o mundo e colocou tudo de “pernas para o ar”. Num ápice ficou demonstrado que o mundo é global e que tudo está interligado. Ecologia, Economia e Saúde constituem-se como um triângulo equilátero com lados e ângulos iguais. Não é possível dissociar uns dos outros. É uma (nova) definição de Sustentabilidade!

De um dia para o outro, um “bicho que não é bicho”, mas que é inteligente (expressão da Direcção Geral de Saúde), cria uma quase unanimidade na definição do conceito de Sustentabilidade e coloca em causa inúmeras teorias negacionistas. Coloca igualmente em causa, e isso é deveras preocupante, alguns das metas do ODS2030 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, pois vê aumentar de forma drástica muitas das assimetrias sociais, ambientais e económicas que urge combater. Tal recuo na linha de referência torna os objectivos ainda mais desafiantes e convocam-nos para uma aceleração das medidas e planos para as concretizar. Não é altura para baixar os braços e desanimar, mas, antes pelo contrário, o tempo é de acção e foco determinados para não desperdiçar a oportunidade histórica que os fundos de apoio em diversas economias dominantes, designadamente a Europeia, nos proporcionam.

Se a pandemia criou uma crise sem precedentes, também cria a oportunidade única de uma retoma sustentável, assente em princípios e valores consonantes com uma economia de não desperdício, chame-se ela de circular, inclusiva ou regenerativa. O fundamental é que se consolide uma cultura empresarial e de cidadania que tenha o triple bottom line como propósito. Com efeito toda a actividade pode e deve ser norteada pelo impacto ambiental, social e económico. Tudo está, como se tem visto, intrinsecamente ligado. É uma tripla e só assim acertamos no “totobola” de um modelo de prosperidade diferente.

É altura de alterar a frase que celebrizou um assessor de Bill Clinton que explicava quase tudo com a expressão “It’s the economy, stupid…

É altura também de, na era em que tudo é  smartsmart cities, smart virus… – ter cada vez mais smart citizens protagonizando uma cidadania responsável… e não voltar as costas à natureza que é um laboratório vivo com mais de 4 mil milhões de anos. As respostas estão lá. É só estar atento… e renunciar à visão arrogante e antropocêntrica dos “donos do mundo”. Voltar as costas implica pagar uma factura muito alta.

A  transição não é fácil ou linear, pois choca com culturas enraizadas (estudei Economia e aprendi uma só bottom line, a economico-financeira) e, como tal, há que desaprender nas gerações mais velhas e educar as gerações mais novas nos princípios do não desperdício. Também aí a natureza é mestra e onde “nada se perde e tudo se transforma”.

É um compromisso intergeracional e que não constitui nenhuma utopia. Não adiantaria colocar muitos recursos financeiros, vulgo “basuka”, em cima de maus comportamentos e más práticas (por exemplo, a perversa obsolescência programada). O resultado seria mais desequilíbrio.

O compromisso implica-nos a todos e a cada um. Gerações anteriores à nossa, antes do hiperconsumo, já o faziam. Agora, temos mais conhecimento e tecnologia e a grande obrigação ética e moral de o conseguir fazer. Cada um de nós, na sua casa, família, profissional, empresa, rua, bairro, cidade, país ou globo, é um potencial agente de mudança e com o poder transformador. Usemos esse poder.

“Sê a mudança que queres ver no mundo!”