Informação sustentável para uma vida mais consciente

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UMA CONVERSA COM

Entrevista sem pressa
DR

Fair News

Anastasia Pittini criou a página de Instagram Travel Leap em 2017, depois de ter deixado o emprego e a rotina para trás, quando decidiu aventurar-se mundo fora. Com imagens bonitas, vídeos e conteúdos inspiradores, incentiva-nos a conhecer o que o planeta tem para oferecer, sempre de forma sustentável

Trabalhou em marketing durante 10 anos em algumas grandes empresas mundiais. O que a fez deixar o emprego e começar uma coisa completamente nova e diferente?
Fazer grandes viagens era o meu sonho desde os 19 anos. Demorou algum tempo a fazer disso uma realidade, mas finalmente, em 2017, fui capaz de o fazer no momento certo. O que me fez decidir esta mudança foi o facto de não estar muito satisfeita com o meu último emprego e não querer trabalhar mais para grandes empresas por elas não estarem alinhadas com os meus valores. Consegui preparar-me para estar confiante e seguir os meus sonhos.

Qual a melhor parte de viajar pelo mundo? E a pior?
Para mim, viajar pelo mundo significa expandir-me e crescer como pessoa todos os dias, ao mergulhar em novas culturas, ao conhecer novas pessoas e ao aprender novas coisas. É a “escola” mais bonita que alguém pode frequentar e dá-nos tempo para nos focarmos em nós e desenvolvermos os nossos sonhos. A pior parte é seguramente estar longe da família e dos amigos durante longos períodos de tempo, mas arranjamos sempre formas de nos encontrarmos com alguém que conhecemos pelo mundo.

O que significa, para si, viajar de forma sustentável?
Isso é uma coisa verdadeiramente importante para mim. Preocupo-me muito com o estado do planeta e dos nossos recursos naturais e sei que fiz a minha parte para os proteger. Viajar de forma sustentável é tentar ter o menor impacto negativo durante as minhas viagens, tendo em conta o que consumo, onde fico, onde como e também que marcas apoio. Acredito profundamente que cada ação positiva faz a diferença, seja usar água purificada em vez de comprar uma garrafa de água de plástico ou apoiando negócios locais em vez de grandes marcas internacionais.

Que mudanças fez no seu dia-a-dia em viagem para reduzir a sua pegada ambiental?
Comprei um purificador de água portátil, por exemplo, e uso palhinhas de aço inoxidável, tal como champôs, condicionadores e sabonetes sólidos que não precisam de embalagens de plástico. Também não como carne e escolho sempre fazer as refeições em restaurante locais em vez de restaurantes de grandes cadeias. Normalmente andamos a pé ou de bicicleta nos lugares que visitamos e, entre países, optamos por viajar de autocarro. Tentamos evitar, ao máximo, andar de avião.

Como escolhem os vossos destinos?
Decidimos começar por viajar pela América do Sul e pelo sul da Ásia, porque estes eram os continentes que pior conhecíamos e pelos quais tínhamos mais interesse. Viajando por terra, normalmente seguimos uma lógica geográfica, o que torna as viagens bastante interessantes porque conhecemos a maioria dos países de sul para norte.

Qual foi o destino que mais a entusiasmou?
Estava muito excitada para conhecer a Colômbia e não fiquei desiludida. Foi muito bom todo o mês que estivemos nesse país.

Quais foram os lugares que mais a marcaram?
Tivemos o imenso privilégio de visitar as Ilhas Galápagos e foi definitivamente a  experiência de uma vida. Galápagos são o lugar mais único e hipnotizante onde já estive. A natureza e os animais estão bem protegidos e podem ser vistos nos seus habitats originais. A semana que passámos aí mudou mesmo as nossas vidas e ensinou-nos muito sobre a importância da conservação da natureza e a sustentabilidade.

Em termos de sustentabilidade, o que encontrou de melhor e de pior nas suas viagens?
Tenho duas histórias, uma boa e outra menos boa. Soubemos que o Equador era o primeiro país da América do Sul a usar energia 100% renovável, o que é um grande exemplo para todos. Também gostámos muito de saber que nas Galápagos 97% do arquipélago é área protegida, onde não se pode sequer entrar. O menos bom é a quantidade de poluição que vemos nas nossas viagens, em algumas das áreas mais bonitas do mundo. Alguns exemplos disto são o Peru e Taganga na Bolívia. Foi de partir o coração ver zonas inteiras e ruas cobertas de lixo, sobretudo de plásticos. Para nós, era um lembrete constante da importância de termos consciência e de fazermos a nossa parte enquanto viajamos pelo mundo.

Quando lhe pedem conselhos, baseados na sua experiência de vida, o que diz?
Pode parecer básico, mas digo sempre para seguirem os seus sonhos. E para darem o salto. Para viajarem. Não há nada melhor que possamos fazer com o nosso dinheiro e o nosso tempo do que investir em nós e em descobrirmos o mundo.