Informação sustentável para uma vida mais consciente

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DIZ-ME O QUE FAZES DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estações
Andreia Oliveira

Fair News

Andreia Oliveira, 38 anos, é vegan há mais de 20, quando ainda se falava pouco em questões de sustentabilidade. Hoje, procura ter hábitos mais conscientes e que permitam contribuir para um mundo mais saudável para a sua filha, Olívia, de 10 meses.


Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?
Quando me tornei vegan, há mais de 20 anos, não foi na sustentabilidade que pensei. As questões éticas dominaram por completo a minha decisão, no entanto, ao longo de todo este tempo e com tudo o que fui aprendendo, orgulho-me de a ter tomado porque hoje sei que o consumo de carne e peixe é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global, pelo uso dos recursos do nosso planeta e pela poluição. Não quero com isto dizer que o meu trabalho está feito, muito longe disso, mas esta é uma daquelas mudanças que tem, efetivamente, um impacto direto e visível no nosso planeta.


Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?
Ser mãe era um desejo muito grande e que pude concretizar há alguns meses. Mas com a maternidade, «nasceram» também muitas dúvidas, muitos desafios, muitos medos. Apesar de ser algo que queria muito ter feito, não estou a usar fraldas reutilizáveis na minha filha.


Qual o seu objeto “verde” preferido?
«Um objeto verde», esta deixou-me a pensar… Não me fazia sentido ser uma peça de roupa, o detergente multifunções que faço em casa ou a escova de dentes de milho que uso todos os dias. Porque não são objetos preferidos, são coisas que fazem parte do meu dia a dia há algum tempo. Por tudo isso, a minha resposta tem de ser o caixotinho de compostagem de resíduos orgânicos que tenho há uns meses em minha casa. E por várias razões. Primeiro porque é uma iniciativa levada a cabo pelo município onde moro, segundo porque é um projeto piloto, mas que a partir de 2023 se estenderá a todo o país, uma vez que a compostagem vai passar a ser obrigatória em Portugal, e terceiro porque é um sinal de mudança. Aliás, esta razão deveria passar imediatamente para o primeiro lugar desta lista. Pode ser ingénuo, mas uma coisa como esta faz-me voltar a ter um pouco de fé na mudança.


Quem a inspira?
Sei que mais cliché não poderia ser, mas vou ter de responder que é a minha filha. Porque gostava que ela me visse como um exemplo e que viva num mundo melhor do que o que temos hoje. E também porque sou egoísta, claro, e não quero pensar que falhei ao trazê-la para este mundo estranho em que vivemos.


Que livro e que filme lhe foi inspirador?
Sei que, provavelmente, vai ser uma resposta pouco original, mas tendo em conta o tema da sustentabilidade, não posso deixar de fazer referência ao Seaspiricy. Porque apesar de grande parte das coisas de que o documentário fala não serem novas para mim, algumas ainda me chocaram muito. Mas, acima de tudo, porque foi importante relembrar a importância e o impacto que as nossas escolhas e ações têm no mundo. Em relação ao livro, e uma vez que a leitura é algo que tem andado completamente esquecido nos últimos meses, tenho de escolher o livro Plasticus Maritimus, da Ana Pêgo, que li há uns anos, e que nos mostra algumas das consequências da invasão do plástico nos oceanos. Sei que este é um tema muito badalado, mas continua a ser fundamental falar sobre isto.


Em que lugar se sente feliz?
Em muitos, felizmente! Mas tendo de nomear apenas um, vai ter de ser dentro de água. Um mergulho no mar é uma coisa tão simples, mas das que mais prazer me dá no mundo.


O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
A empatia. Sem sermos capazes de nos pormos no lugar dos outros, nada muda. E todos sabemos como precisamos de mudança.


Se pudesse mudar uma política, qual seria?
Reformular o sistema de reciclagem para que o lixo que pode ser, efetivamente, reciclado, não acabe em aterros ou a ser incinerado. Falando do plástico, em particular, existem inúmeros tipos diferentes deste material, que acaba por ir todo para o mesmo sítio. O que acontece é que não existe capacidade para fazer a devida separação. E então acaba por ir parar aos aterros ou a ter de ser incinerado.


Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
Sermos os únicos donos do nosso tempo.


Qual a sua visão de um mundo melhor?
O mundo que temos é perfeito, será que não conseguimos ter noção da sorte que temos? O único problema somos nós e a nossa falta de sintonia para a mudança, vontade de ação e a perceção de que o que fazemos tem impacto nos outros e vice-versa.


Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
«Já carreguei no botão de emergência e os alarmes já estão a soar. Vocês vão demorar muito a chegar?»