Informação sustentável para uma vida mais consciente

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DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estações
Ana Gariso

Fair News

Ana Gariso tem 43 anos e vive em Lisboa, é estudante de doutoramento e faz investigação sobre graffiti e arte urbana.

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?
Não tenho nem nunca tive carro. Só uso transportes públicos e procuro andar a pé sempre que possível. Sei que, morando no centro de Lisboa, é mais fácil viver sem carro, mas a verdade é que são muito poucas as vezes em que sinto falta de carro, mesmo fora de Lisboa. Penso que é uma questão de hábito.

Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?
Gostaria de fazer compras para a casa tendo mais atenção à origem dos produtos, privilegiando mais os produtos locais e usando cada vez menos coisas embaladas e processadas. Minimizo o consumo destas coisas, mas é muito difícil o equilíbrio entre racionalidade e conveniência. Tento compensar reciclando tudo o que posso, desde vidro, papel e embalagens, até pilhas, rolhas de cortiça, velhos eletrodomésticos, roupa. Penso que já é possível encontrar contentores de reciclagem para muita coisa.

Qual o seu objeto “verde” preferido?
Os sacos de pano para ir às compras. Tenho muitos e alguns com desenhos ou frases feitos por mim. Comecei a decorar sacos de pano em workshops de graffiti num trabalho que fiz há uns anos e fiquei com moldes de stencil e tintas que vou usando pois são materiais que duram muito. Também dou sacos decorados aos amigos quando me pedem.

Quem a inspira?
Em primeiro lugar os meus pais, porque são pessoas com origens rurais e com uma sensibilidade genuína perante a natureza e o seu equilíbrio. Ao contrário de muitas pessoas da geração deles em meios urbanos, sempre cuidaram de reciclar, reutilizar, aproveitar. Eles sabem que o alimento vem da terra e isso é uma forma de conhecimento preciosa. E inspira-me muito Greta Thunberg por ser uma rapariga que começou a ter voz global ainda muito jovem e que consegue chegar às pessoas comuns mas também a quem está em lugares de poder.

Que livro e que filme lhe foi inspirador?
O livro que até hoje me mudou mais foi Moby Dick. A tragédia da condição humana e a nossa fragilidade perante as forças da natureza são apenas uma das inúmeras leituras possíveis, mas é um livro com muitas camadas que posso reler descobrindo sempre coisas novas.
Tenho sempre muita dificuldade em escolher filmes. Tendo em mente este questionário, vem-me à ideia A Barreira Invisível ou até outros filmes do Terrence Malick, porque no cinema dele a natureza é real e ao mesmo tempo serve de base a um conjunto de reflexões metafísicas sobre a vida, a morte e a essência da realidade.

Em que lugar se sente feliz?
Deitada num campo à sombra de uma árvore, descalça para sentir a terra ou a deambular pela cidade sem destino, só a absorver a vida urbana com os sentidos. Não consigo amar o campo sem a cidade nem a cidade sem o campo. Esta dualidade faz parte da pessoa que eu sou.

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
A capacidade de amar, de amar desinteressadamente. Penso que se praticássemos mais a empatia e o amor ao próximo como ele é, seríamos todos mais felizes.

Se pudesse mudar uma política, qual seria?
Neste momento, seria pôr um travão a fundo na queima de combustíveis fósseis, mesmo sabendo que isso pode trazer implicações profundas no equilíbrio socioeconómico, porque também me parece, sobretudo com o exemplo recente da pandemia, que teríamos capacidade para nos adaptarmos.

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
Sermos o que quisermos independentemente das opiniões de fora, sem medo, sem vergonha, sem complexos.

Qual a sua visão de um mundo melhor?
Um mundo com menos desigualdades e menos violência, menos focado no poder e no capital e mais nas coisas pequenas e simples do dia a dia. Gosto da ideia já tornada lugar comum de que devíamos ser mais e ter menos.

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
A verdadeira sabedoria não está nos vossos livros.