Informação sustentável para uma vida mais consciente

Informação sustentável para uma vida mais consciente

DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estações
Catarina Mesquita

Fair News

Catarina Mesquita tem 32 anos e vive atualmente em Macau, onde dá aulas e onde criou a sua própria editora de livros para crianças: a Mandarina Books.

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?
A frequência com que compro roupa e, principalmente, a do meu filho de três anos. Deixei há algum tempo de me preocupar em seguir as tendências de moda que quase me obrigavam a comprar a roupa x com o corte y e o tecido z e passei a ter muito menos roupa e compro com mais consciência peças que me acompanhem por mais tempo.
Com uma criança a crescer tento ao máximo comprar peças que consigam passar de um ano para o outro e, admiravelmente, chegam a haver peças que conseguiram acompanhá-lo dois anos.

Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?

Reciclagem do desperdício diário. Pode ser uma resposta surpreendente tendo em conta a fase em que nos encontramos mas vivo num sítio onde a reciclagem simplesmente não existe e não somos incentivados a separar o lixo. Antes de me mudar para Macau fazia a reciclagem em Portugal mas tive de deixar cair esse bom hábito. Hoje, com alguma vergonha confesso quando chego a Portugal me esqueço que tenho de separar o lixo. Os maus hábitos criam-se com uma enorme facilidade.

Qual o seu objeto “verde” preferido?
Para mim é difícil definir um objecto porque vivo rodeada de objectos “verdes”. Passo uma grande parte do meu tempo numa casa que foi construída toda ela com materiais apanhados do lixo. Talvez a parte mais surpreendente para mim são as janelas da sala que são feitas a partir de vidros abandonados no lixo que já tinham sido portas de chuveiro.

Quem a inspira?
Várias pessoas mas principalmente o meu companheiro e o meu filho. Um porque me põe em perspectiva todos os dias e outro porque me dá novas perspectivas além de ser o criador da casa sustentável de que vos falei.

Que livro e que filme lhe foi inspirador?
O livro que me acompanha para todos o lugares onde fui e que é um dos meus objectos de culto é o livro do Planeta Tangerina: Um livro para todos os dias. Todas as páginas nos lembram dos pequenos detalhes que constroem uma grande vida. Um filme diria o Cinema Paradiso pelo valor dos sonhos e da amizade que podem tornar tudo melhor.

Em que lugar se sente feliz?
Sentada à beira da estrada, na aldeia chinesa onde habito a dizer “Djosan” (Bom dia em cantonense) a quem passa.

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
A capacidade de se renovarem. De não perderem a esperança e de tentarem fazer melhor.

Se pudesse mudar uma política, qual seria?
(Suspiro profundo) Reformular todo o sistema de educação dando mais liberdade e simultaneamente responsabilidade às crianças para que desde cedo entendam o poder que têm em tudo o que as rodeia. Se a educação funcionar, o resto funcionará de acordo.

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
A liberdade de poder escolher e decidir em paz sem qualquer interferência externa, conscientes de quando nos deitamos que temos de fechar as contas do dia com a certeza de que fizemos o melhor que podíamos.

Qual a sua visão de um mundo melhor?
Um mundo menos consumista e cujos valores capitalistas sejam tão pequenos que as pessoas possam ser quem são e não apenas as suas profissões.

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
“Vocês estão todos doidos!”