Informação sustentável para uma vida mais consciente

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A opinião de quem sabe
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Luís Amado

Diretor executivo da B Lab Portugal

Por vezes, chamam-me louco por ser pai de quatro. Adoro! Se é loucura, é boa e a mesma não me faz esquecer o sentido de responsabilidade relativamente ao futuro dos meus 4 filhos e das gerações futuras. Serei só eu a sentir esta responsabilidade? Espero que não.

Se não mudarmos de imediato os nossos hábitos e comportamentos, as gerações futuras não terão um planeta Terra para viver, pelo menos como aquele que conhecemos. Os governos e as empresas podem e devem fazer muito, é verdade, e alguns e algumas fazem, outros nem tanto, mas… e o que podemos nós fazer? Ficar à espera? Não!

Não esquecer que os governos são, na sua maioria, eleitos por nós e, portanto, podemos condicionar ou, pelo menos, tentar que a sua actuação vá ao encontro de preocupações sustentáveis e que permitam qualidade de vida às gerações futuras.

E as empresas? Ah! Essas podiam fazer muito, mas os accionistas é que mandam, por isso não posso fazer nada. Não sou accionista nem gestor de empresas. Não é verdade! Sabem quem paga os salários dos colaboradores das empresas e os dividendos aos accionistas? Os clientes! Se não existirem clientes para comprar os produtos e/ou serviços das empresas não entra dinheiro para as empresas e estas deixam de pagar salários e dividendos.

Há já empresas que fazem por ser, não só as melhores do mundo, mas melhores para o mundo. Há certificações, umas mais credíveis do que outras, que nos podem ajudar a escolher melhor o que compramos. Como cidadãos e consumidores, ao privilegiar estas empresas nas nossas decisões de consumo, estamos a contribuir para um mundo melhor.  Pois é, cada um de nós como consumidor tem um enorme poder!  Será que já se tinham apercebido disto?

Cada vez que fazemos uma compra estamos a contribuir para mudar o mundo. Parece exagero, eu sei. Mas se fico muito contente por comprar brinquedos baratos ou t-shirt a um euro e não penso que com isso estou a promover o trabalho infantil na China ou algures noutro sítio, não estou a ser um consumidor consciente nem a usar as minhas decisões de compra para poder mudar o mundo para melhor, estou provavelmente a ajudar as empresas que apenas querem fazer enriquecer alguns à custa da exploração de outros.

Na aldeia global em que vivemos não é só o Covid 19 que tem consequências globais, muitas das nossas opções de consumo têm também uma abrangência global e muito superior àquilo que muitas vezes imaginamos numa primeira aproximação superficial. Pensemos, por exemplo, no plástico que utilizamos e nas suas consequências em todos os ecossistemas marinhos e costeiros do mundo; nas emissões de dióxido de carbono e a suas consequências no aquecimento global, etc.

É urgente mudar comportamentos de forma a que o mesmos passem a ter uma visão mais global e de longo prazo, nomeadamente condicionar a nossas opções tendo em conta o impacte global das mesmas. Sim, a forma como consumimos pode ter um relevante impacte global, a vários níveis, como os exemplos do plástico e do dióxido de carbono, anteriormente mencionados. Escolhas tão simples como de forma consciente embalagens e sacos de plástico ou escolher preferencialmente fornecedores de proximidade faz a diferença no impacte causado, a escolha é nossa.

As nossas compras, mais do que um impulso, podem e devem ser um acto consciente de cidadania, de vontade e acção efectiva para criarmos um mundo melhor. Podemos “votar” com a nossa carteira, com as nossas escolhas, cada vez que fazemos compras.

Comecei por pensar em roubar a conhecida frase do universo radiofónico: “vale a pena pensar nisto”, mas… acho que não chega. É obrigatório e urgente começar a fazer isto!