Informação sustentável para uma vida mais consciente

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Diz-me o que fazes, dir-te-ei quem és

Inquérito para quatro estações
Fair News

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Daniela Oliveira tem 32 anos, vive em Lisboa e já visitou mais de 50 países. No seu percurso profissional, junta várias experiências: começou a carreira enquanto jornalista de televisão, fez comunicação corporativa e financeira e é agora consultora de gestão, focada em cidades inteligentes e sustentáveis. Adora pessoas, livros e boas estórias e está sempre a pensar no próximo desafio.

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?
A procura pelo minimalismo. Trabalhei durante cerca de um ano em projetos de curta duração em várias economias emergentes e apenas podia viajar com uma mala de porão. Percebi que há uma grande quantidade de coisas de que podemos prescindir e que vivia bastante bem com os 22 kgs que me acompanhavam. Desde 2014, que penso três ou quatro vezes antes de comprar qualquer coisa, procuro alternativas usadas sempre que possível e reduzi consideravelmente o meu roupeiro.

Qual a mudança ecológica que quer fazer mas ainda não conseguiu?
Estou ansiosa por começar a percorrer a cidade, nos meus trajetos diários, de bicicleta elétrica. Uso muito pouco o carro – e bastante os transportes públicos – mas sinto que o passo seguinte é adquirir uma bicicleta elétrica e assumi-la como principal meio de transporte urbano. Lisboa está cada vez mais bem preparada para essa mudança. O meu “regresso ao escritório” será feito dessa forma.

Qual o seu objeto “verde” preferido?
O carrinho de bebé do meu filho, da Greentom, feito de garrafas de plástico recicladas, robusto para ser utilizado em mais de uma criança e preparado para reciclar quando já não tiver uso. Foi uma ótima compra e ajuda-me a transmitir à nova geração, indiretamente, a importância da consciência ambiental.

Quem a inspira?
Tenho um leque variado de pessoas a quem recorro quando procuro inspiração. Em comum têm o facto de se mover genuinamente por causas, paixões ou propósitos, e a capacidade para vencer o medo e as limitações impostas. Sou também seguidora de boas ideias e estórias, o que justifica que seja consumidora ávida de TED Talks. ☺

Que livro e que filme lhe foi inspirador?
Leio maioritariamente não-ficção e literatura de viagens, pelo que minhas recomendações seguem sempre esta tendência. De entre os que li mais recentemente, destaco o 1) “O último comboio para a zona verde”, de Paul Theroux (dos mais famosos escritores de viagens), que relata a viagem que planeava fazer da África do Sul até ao Norte de África, mas que termina subitamente em Angola devido à desilusão do contexto com que se depara; 2) “Range”, de Daniel Epstein, que ilustra a importância das experiências diversificadas e da versatilidade na criação de percursos bem-sucedidos.

Em que lugar se sente feliz?

Sou mais moldada pelo contexto do que pelo espaço, pelo que procuro estar rodeada de pessoas, independentemente do lugar em que isso ocorre. Sou muito feliz em viagem, porque é para mim momento mais puro de valorização do caminho e da jornada.

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
Autenticidade e confiança.

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
Liberdade para mim é tempo: tenho tanta mais liberdade quanto mais aproveito o tempo.

Qual a sua visão de um mundo melhor?
Temos vindo a perder um sentido de comunidade que me parece urgente recuperar. Essa noção comunitária traz inevitavelmente mais companheirismo, união e sentido de pertença, valores que nos permitiram o progresso e nos asseguram a vida em sociedade. Um mundo melhor, para mim, é um mundo com sentido de interdependência e com comunidades mais fortes – a nível local mas também global.

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
Fala-nos com alguma regularidade e a última mensagem foi sobejamente forte: estamos a abusar no uso de recursos, a menosprezar a importância da natureza para o nosso equilíbrio e, nesta vida despreocupada, a negligenciar o futuro das novas gerações na Terra. Acho que nos diz, permanentemente, que somos agentes de mudança, dotados de inteligência e capacidades suficientes para avaliar as relações causa-efeito e, por conseguinte, retomar atempadamente o caminho mais acertado.