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UMA CONVERSA COM

Entrevista sem pressa
Educação Financeira na Infância

Sofia Dezoito Fonseca

Fair News

Lu Santos e Lúcia Stradiotti são os rostos por detrás do projeto Educação Financeira na Infância. Esta é uma iniciativa que defende que a prosperidade vai muito além do dinheiro, incentivando as pessoas a assumirem uma nova postura frente às finanças, e a educarem financeiramente os seus filhos desde a primeira infância, para uma vida mais tranquila e realizada.

Como surgiu a ideia deste projeto? Contem-nos um pouco a história por detrás dele.

Eu Lu comecei a empreender em 2009 quando vivia em Portugal, tinha acabado de ter o meu segundo filho e pedido demissão de um cargo de direção na área financeira de uma grande empresa. Criei uma loja online do zero, que vendia produtos de enxoval de bebés. Após 2 anos de muito trabalho e pouco resultado resolvi encerrar a empresa. Na altura voltei para o Brasil e comecei a atuar como Coach. Já tinha feito uma formação em Portugal em 2006, fiz outra no Brasil e vi que era o caminho que gostaria de seguir. Nessa jornada entendi que na realidade meu empreendimento não tinha sido bem-sucedido porque eu tinha diversas crenças sobre dinheiro, trabalho, merecimento.

Em um atendimento de coaching, minha cliente sabia de toda a minha experiência de anos na área financeira pediu para fazer uma consultoria financeira porque ela precisava se organizar e planear. Comecei a atuar como consultoria financeira. Estudando cada vez mais sobre esse tema entendi que queria fazer diferente com os meus filhos, queria educá-los para terem uma boa relação com o dinheiro, ficar longe de dívidas, saber planear, se organizar e ter escolhas conscientes.

Foi então que em 2016 surgiu, oficialmente, o projeto de Educação Financeira na Infância. Escrevi um e-book com 30 dicas práticas que foi um verdadeiro sucesso, desenvolvi o curso “Criando Filhos Prósperos” e palestrei para centenas de pessoas. Como tinha (e ainda tenho) muitos projetos em andamento, fui em busca de uma parceira para crescermos com o projeto juntas. Final de 2018 eu e a Lúcia nos conectamos através do meu Instagram e desde então seguimos juntas, desenvolvendo outros cursos, workshops e, em 2021, publicando nosso primeiro livro sobre o tema: Muito Além da Mesada.

Porque é que é importante educar as crianças para uma educação financeira? Que impacto terá nos adultos de amanhã?

Um estudo da Universidade de Cambridge concluiu que a maneira com a qual os adultos lidam com o dinheiro está relacionada ao que aprenderam na infância. Acontece que a maioria de nossa geração cresceu sem Educação Financeira. Pelo contrário: crescemos ouvindo que “dinheiro não dá em árvore”, “é sujo” e “não traz felicidade”, e ainda que “estamos vivendo tempos de crise, inflação e incertezas”.

Não por acaso, somos hoje uma população com um alto percentual de endividados. Tudo o que vivemos até agora moldou nossa relação com o dinheiro, e isso se reflete em nossa vida financeira. Mas apesar de não podermos mudar o que passou, podemos escolher fazer diferente a partir de hoje, mudando o presente para construir um futuro melhor!

Com que idade é que é mais indicado iniciar as crianças neste percurso de educação financeira?

Costumamos falar que desde o momento que a criança começa a se interessar pelo assunto, pedindo para comprar coisas e se familiarizando com os números. Não tem idade certa, mas isso pode acontecer a partir dos 3 anos.

A forma como a maioria dos pais de hoje em dia foi educada é bem diferente desta abordagem que propõem. Quais as principais diferenças?

A principal diferença é que falamos de educação financeira muito além dos números. Olhamos para a construção de valores por trás da educação tendo o dinheiro como ferramenta. Um exemplo prático é sobre a tão conhecida mesada. Na nossa visão, e com estudos que já comprovam isso, dar mesada sem educar financeiramente é deseducar. É criar adultos sem vontade de ir atrás dos próprios sonhos, que ficam à espera das coisas caírem no colo (do dinheiro do papai e da mamãe), sem iniciativa e sem base para decisões financeiras conscientes.

Havendo diferenças entre a forma como fomos educados e esta nova abordagem, será mais difícil para as crianças ou para os pais este desafio de educar financeiramente na infância?

Na realidade a maioria dos adultos de hoje nunca foi educado. Nossos pais não sabiam como fazê-lo e muito menos do impacto que isso teria em nossa vida adulta. Por um lado, é mais fácil porque temos essa consciência e podemos aprender a fazer diferente, mas, por outro, nos dias de hoje as crianças são expostas a muito mais estímulos para o consumo.

A ideia da mesada ainda é válida? Em que circunstâncias deverá existir esse incentivo? Quando fará mais sentido?

A mesada pode ser uma das formas da criança ter o seu próprio dinheiro, o que é fundamental para a educação financeira, mas somos a favor de unir essa remuneração por troca de tarefas! Simplesmente dar mesada não é educar. Quando você atrela o recebimento do dinheiro como uma moeda de troca, esse conceito vai sendo construído desde cedo. Um dos grandes erros aqui é remunerar a criança por tarefas que deveriam ser obrigatórias, como escovar os dentes, colaborar com a casa, fazer tarefas escolares.

No nosso livro Muito Além da Mesada abordamos o tema da prosperidade, que vai muito além do dinheiro e que é possível educar financeiramente as crianças desde cedo para que elas cresçam com valores e atitudes alinhados para a construção dos seus sonhos. Ao aplicar os conceitos com práticas do dia a dia. de forma leve e natural, é possível transformar a vida de toda a família. ‍O futuro das crianças começa a ser construído agora!

Esta abordagem estará também enquadrada no âmbito de uma parentalidade mais consciente?

Com certeza. A parentalidade consciente tem por base a presença, o olhar sem julgamentos, a educação através do respeito. Ela olha para as necessidades que estão por trás dos comportamentos. A nossa proposta com a educação financeira também possui esses pilares além de envolver o aprendizado de toda a família, e isso só é possível com muita presença e vontade de fazer diferente. Ambos são novas maneiras de educar pensando na construção de um futuro melhor, mais próspero e feliz para as crianças de hoje.

Estando perto do Natal, que conselhos dariam aos pais de como podem lidar com as exigências dos filhos nesta altura de consumo mais acentuado?

Estamos o tempo todo sendo bombardeados por estímulos ao consumo. Nesse momento é importante a família consciencializar as crianças sobre o verdadeiro espírito de Natal. É um ótimo momento para ajudá-las a doar alguns brinquedos e roupas para quem precisa mais, preparar os presentes com materiais recicláveis ou algum tipo de artesanato. Mostrar que não é o valor daquilo que se dá ou se recebe que importa, mas toda a intenção e carinho por trás.

Costumamos dizer que nenhuma criança nasce consumista. Se querem muitas coisas, brinquedos demais e caros, é porque de alguma forma, ela vem vivenciando isso. Portanto construir valores familiares é fundamental. Educar é sobre isso, saber explicar muitas vezes que não é prioridade da família comprar algo que a criança queira. Por isso que o conceito que desenvolvemos de Mesada Inteligente é importante porque a criança aprender a gerir o próprio dinheiro, planear e escolher.

Que novidades podemos esperar no âmbito deste vosso projeto?

Estamos em um momento de expansão do projeto e desenvolvendo uma maneira desse conteúdo chegar ainda a mais pessoas. É algo que precisa estar dentro das escolas e de todas as casas. Em breve teremos mais novidades.

 

Breve biografia das autoras:

Lu Santos:

Mentora de prosperidade, escritora, palestrante e fundadora do Instituto da Alma. Graduada em Administração de Empresas, com MBA em Finanças pela FGV e Mestrado no IBMEC, trabalhou muitos anos em grandes empresas no Brasil e no exterior na área de Planeamento Financeiro.Começou a empreender em 2009 e atualmente é mentora de negócios e ministra formações, tendo alunos em diversos países. Considera que a prosperidade tem 3 pilares fundamentais: racional, emocional e energético e tem como propósito levar esse olhar de finanças muito além dos números para a vida de mais e mais pessoas.

Lúcia Stradiotti:

Educadora e terapeuta financeira, mentora, escritora e palestrante. Graduada em Letras na UNICAMP e pós-graduada em psicologia e educação financeira, entende o dinheiro como ciência humana, compreendendo a educação financeira como uma ferramenta de desenvolvimento, empoderamento e transformação de vida.

Acredita na prosperidade que vai muito além do dinheiro, e incentiva pessoas a assumirem uma nova postura frente às finanças, e a educarem financeiramente os seus filhos desde a primeira infância, para uma vida mais tranquila e realizada.

Siga o projeto AQUI.