Informação sustentável para uma vida mais consciente

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UMA CONVERSA COM

Entrevista sem pressa
Ruben Branches /Fair Bazaar
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Fair News

A professora de ioga, autora e antiga jornalista tem uma consciência apurada nas escolhas diárias que faz. A sua mais recente preocupação é encontrar a maneira mais sustentável de viajar e a forma de eliminar o desperdício na sua vida familiar

Como vê hoje o mundo, em termos financeiros, ambientais, sociais e também espirituais?
Sinto-me muito honrada por viver neste tempo, numa época de consciencialização. Acredito que há uma grande mudança de consciência a acontecer à nossa volta e que a humanidade se está a levantar e a criar, em conjunto, a transformação do Planeta. É bonito ver e sentir este movimento. Para mim, ter pessoas como Greta Thunberg a aparecer é um grande sinal de que o mundo está a evoluir e a crescer de uma maneira sem precedentes. Espiritualmente também vejo um crescimento. Estamos finalmente a religar-nos às nossas raízes, à natureza e a essência da vida está a começar a florescer. Ao mesmo tempo, o velho mundo ainda é muito forte, mas sou uma pessoa positiva, acredito que a mudança será para melhor. Se isso não acontecer, acho que não vamos sobreviver como civilização, o que também é possível… Faz tudo parte do processo e somos apenas uma parte ínfima.

Quando começou a desenvolver a sua consciência em relação ao mundo?
Quando era pequena, olhava sempre para as coisas que não atraíam as outras pessoas. Deixei de usar plásticos há vários anos porque senti que não eram bons nem necessários. Quando as minhas filhas nasceram, comecei a comer apenas produtos biológicos. Foi tudo natural. E ainda é. Mas acredito que ter crescido em Macau me deu a possibilidade de me ligar à espiritualidade asiática desde muito pequena. Tudo evoluiu muito naturalmente depois de me mudar para a Europa e enfrentar uma realidade diferente. Mais tarde, o ioga tornou-se a minha vida, um espaço para mim, a minha terapia. Sei que foi a ligação com a parte espiritual que me fez evoluir enquanto ser humano.

Quando é que tudo começou com o ioga?
Comecei a fazer ioga depois de acabar a Universidade. Estava a trabalhar e precisava de alguma coisa diferente das aulas de dança. Vi tudo o que havia em Lisboa: em 2003 e 2004 quase não havia lugares onde praticar ioga, era tudo um pouco estranho. A minha irmã levou-me à Casa Vinyasa Lisboa e quando entrei apaixonei-me por tudo: a prática, a respiração. O ioga tem-me permitido a viagem mais incrível ao interior de mim própria. Sinto-me abençoada por ter o ioga na minha vida. Transformou-me, tornou-me mais forte e mais fiel às minhas crenças.

Porque criou o blogue Yoga-me?
Em 2012, mudei-me com a minha família para Bali. As minhas filhas foram estudar para a Green School e eu mergulhei no mundo do ioga de Ubud. Foi a experiência mais incrível que tivemos. Bali foi um crescimento diário para a nossa família, estávamos a viver dentro de um dos lugares mais espirituais e conscientes do planeta. Já fazia a minha kombucha, praticava ioga, comia orgânico e natural, passava o tempo com pessoas com consciência sustentável. Mudámos para sempre. E decidi criar um blogue para falar da minha experiência na ilha. Para minha surpresa, foi um êxito imediato. Recebi depois um convite para escrever um livro. Yoga-me tem sido uma benção e sinto-me muito orgulhosa desta viagem.

Considera a sua vida sustentável? Quais são os seus hábitos diários?
Sim, todos os dias tento dar passos conscientes. Um dos objetivos da minha família, neste momento, é tornarmo-nos uma família sem desperdício. Tem sido um trabalho duro mas muito compensador. Cada um de nós pode comer o que quiser, mas em casa não comemos carne nem peixe. O resultado é que as minhas filhas comem muito poucos produtos animais e só o fazem quando têm origem em produções sustentáveis. Não vamos ao supermercado comprar comida, vamos aos mercados no fim de semana e a nossa dieta é à base de vegetais. Também estou a introduzir em casa ideias de moda sustentável e de redução do consumo. Temos demasiado, não precisamos de metade daquilo que temos, isso não nos traz felicidade. Falamos destes temas diariamente. A última conversa foi sobre viajar de forma sustentável.

Qual a sua visão de um mundo melhor?Ter o mundo inteiro a tomar conta dos seus corpos e mentes, de forma consciente e presente. Se todos meditássemos, teríamos mentes e corpos mais saudáveis e tomaríamos decisões mais inteligentes para o planeta. Precisamos de saber como cuidar de nós para podermos cuidar do planeta. A minha visão é a humanidade a trabalhar em conjunto para fazer a natureza perfeita.

Como sente essa mudança de mentalidades a acontecer em Portugal, na Europa e no mundo?
Adorava que Portugal percebesse a enorme oportunidade que tem de ser o melhor país do mundo, só precisamos que a população se consciencialize para que os governos também se coloquem à altura do desafio. Temos de nos tornar menos focados no dinheiro e dar mais atenção a outras formas de riqueza, porque temos esta experiência linda que é viver neste planeta perfeito e, ainda assim, procuramos a felicidade lá fora. A felicidade está cá dentro.

Que conselho daria ao mundo?
Pratiquem ioga, meditem, foquem-se no vosso trabalho interior, apreciem a vida, sejam positivos, acreditem em vocês e respeitem os outros, deem mais, encontrem o vosso dharma, o vosso propósito e mantenham-se sempre livres. A liberdade é o maior propósito espiritual.