Informação sustentável para uma vida mais consciente

Informação sustentável para uma vida mais consciente

UMA CONVERSA COM

Entrevista sem pressa
Madalena Brandão

Sofia Dezoito Fonseca

Fair News

1. És uma figura pública muito focada nas questões relacionadas com o bem-estar e com a sustentabilidade de um modo geral. De onde surgiu essa preocupação?
Foram surgindo, mais na idade adulta. Comecei por me interessar pela alimentação, comecei a questionar os factos que dava por garantidos. Percebi que a alimentação que me tinha sido imposta como saudável talvez não fosse exatamente a melhor para mim. Que o que nos vendem como melhor, nem sempre é verdade. Primeiro aprendi a por em causa, depois foi uma bola de neve (risos).
Percebi que cuidar da minha saúde está diretamente ligado a cuidar da saúde do planeta e comecei a despertar para as questões da sustentabilidade, a perceber de que forma os meus hábitos tinham um impacto no mundo e a arranjar formas para reduzir a minha pegada ecológica.

2. Que valores de sustentabilidade procuras passar aos teus filhos?
Exatamente isso, que temos de ter como prioridade a nossa saúde e a saúde do planeta. E que as nossas ações, por mais pequenas que sejam, importam. Não nos podemos desleixar. Temos de ser consistentes nas nossas decisões e questionar. Questionar sempre!

3. Que conselhos darias a alguém que está agora a dar os primeiros passos para uma vida mais sustentável?
Para se informarem bem. Quanto mais informação tivermos mais vontade e determinação vamos ter para dar os primeiros passos. Há muitos documentários que podemos ver para perceber o que se está a passar no mundo e o quão urgente é a mudança.
Depois diria para não tentarem mudar tudo de uma vez. Mais vale mudar dois hábitos e só quando essas mudanças já fizerem parte da nossa rotina diária sem esforço, passar para as próximas. Ah e também diria que este caminho é mais agradável se não formos demasiado exigentes e se for feito sem culpas 🙂

4. Na tua opinião, quais as maiores dificuldades para vivermos hoje em dia uma vida mais ecológica?

A velocidade a que vivemos e a que tudo acontece. A falta de tempo por vezes impede-me de ter as rotinas necessárias para conseguir ter uma vida mais ecológica e produzir menos lixo, por exemplo. Para fazer compras para a casa conscientes, temos de ir aos sítios certos, como por exemplo as lojas a granel. Quando o tempo aperta torna-se difícil manter esses hábitos e acabo por ter de recorrer a outras alternativas menos ecológicas, mas faz-se o que se pode. Sem stress e sem pressões. Se dermos o nosso melhor já estamos a dar um grande passo.

5. Que hábito sustentável ainda não implementas e gostarias de poder vir a implementar?
Não vivo com esse peso. Gosto de me focar nas coisas que já fiz. Há muitos passos para dar, mas tento não deixar que isso me angustie. Quando chega a hora certa, os passos são dados e têm sido dados. Por exemplo, este ano eu e o meu marido passámos a conduzir carros elétricos. Fazemos muitos quilómetros e foi um passo que me deixou muito feliz pois é uma contribuição diária para a redução de emissões e assim reduzimos bastante a nossa pegada ecológica do dia a dia.
Mas há sempre coisas a melhorar, sempre. Infelizmente, os hábitos que temos na vida em sociedade são muito pouco amigos do ambiente e há muitos passos a dar. Cabe a cada um fazer o melhor que pode. Ter menos, comprar menos, produzir menos lixo, questionar as formas de mobilidade… essas são as questões que nós podemos colocar e mudar.
Este ano também decidi não comprar uma única peça de roupa o ano inteiro, não me está a custar nada e não sei se não vou estender o prazo deste desafio (sorriso).

6. Na tua opinião, a pandemia que vivemos atualmente veio dar um boost aos temas relacionados com a sustentabilidade? Achas que há agora uma maior sensibilidade para estes assuntos do que havia anteriormente?
Há mais sensibilidade para os temas, mas também se produz cada vez mais lixo.
Os temas da sustentabilidade continuam em segundo plano, há outras prioridades, há uma pandemia para ser travada. Tenho esperança que depois destes tempos tão desafiantes venha uma maior união e uma maior consciência da urgência de cuidarmos do planeta.

7. Que projetos ligados à área da sustentabilidade podemos esperar ainda da tua parte para os próximos tempos?
Com este último ano tão atípico, o projeto que tenho com a Joana Seixas, I Met God She’s Green, ficou um pouco em stand by. Foram muitas mudanças de casa, adaptações à nova realidade e rotinas e foco em tentar manter a sanidade mental e calma no meio de tudo o que se está a passar. Tenho esperança que agora tudo volte ao normal e e que nós consigamos por em prática todas as ideias que temos relacionadas com o blogue. Tudo a seu tempo. O último ano foi mais de reflexão e procura de inspiração. Este próximo espero que já seja mais de partilhas positivas.

8. Que outros projetos te inspiram nesta área?
Inspiro-me todos os dias tanto por pessoas que já deram grandes passos nesta área, como com os meus filhos que estão a crescer com uma consciência ambiental muito maior do que a minha geração cresceu. Gosto de estar atenta ao que se está a passar e ver a quantidade de projetos inspiradores que vão surgindo. Um exemplo disso é a Fair Bazaar (sorriso).
Felizmente hoje em dia é muito mais acessível a informação e é mais fácil, querendo, ter um estilo de vida mais consciente e sustentável. É mesmo só querer!