Informação sustentável para uma vida mais consciente

Informação sustentável para uma vida mais consciente

DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estações
Maria Dominguez

Fair News

Maria tem 31 anos e é gestora de projetos na CLEAN, a cluster de cleantech da Dinamarca. Adora praticar yoga e fazer meditação. Para espairecer elege o seu jardim e é com as mãos na terra que se sente verdadeiramente feliz.

1.Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?

Compostar! Sem dúvida ter um compostor da CML em casa é a minha maior (e mais recente) realização sustentável. Ainda não domino o processo a 100%, mas não mandar o lixo orgânico para o contentor de lixo comum já acho uma vitória.

2. Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?

Esta é fácil – usar fraldas reutilizáveis. Gostava mesmo de assegurar que o meu filho tem uma pegada ecológica tão reduzida quanto possível, principalmente enquanto esta depender das minhas decisões. Confesso até que já tenho as fraldas, só que não tem sido fácil introduzí-las na nossa rotina cá em casa. A ideia parecia-me mais fácil na teoria enquanto ainda estava grávida do que agora que o Xavier chegou!

3. Qual o seu objeto “verde” preferido?

É raro sair de casa sem a minha garrafa de agua de alumínio que já tenho há cerca de 4 anos. É o objeto a que dou mais uso e há mais tempo. Mas o que me dá mais prazer é sem dúvida o cotonete reutilizável que comprei há pouco tempo. É que sinceramente, limpar as orelhas está no top dos prazeres do ser humano!

4. Quem a inspira?

Não é tanto uma pessoa que me inspira mas mais uma cultura. No que toca à sustentabilidade, acredito que todos os pequenos gestos contam, mas acredito mais ainda que as mudanças estruturais são as que têm maior impacto. Na Escandinávia, por exemplo, ou na Dinamarca que é o país com que estou mais familiarizada, as questões ambientais e sociais são intrínsecas às política aplicadas, aos investimentos realizados e fundos disponibilizados, tendo em consideração a preservação ambiental e a igualdade social. Não penso que temos de replicar o modelo escandinavo até porque as nossas realidades são muito diferentes – mas podemos nos inspirar nos seus casos de sucesso.

A nível profissional, esta cultura é inspiradora pois leva-me a ser ambiciosa e paciente – o meu trabalho consiste em desenvolver e gerir projetos (soluções) para desafios climáticos, e ainda que eu seja uma pessoa pouco paciente, os projectos com maior taxa de sucesso são os que demoram mais tempo a ser implementados. E o sucesso traduz-se em maior envolvimento das partes interessadas, implementação e/ou adaptação de politicas, e acima de tudo, mudança de comportamento. A nível pessoal, comecei a reflectir muito mais antes de fazer uma compra, a prioritizar qualidade em vez de quantidade. Ainda que o grande desafio seja manter estes hábitos quando se volta à base e às vezes a carne é fraca… quando cedo à tentação de comprar algo que não preciso tento então dar algo, mandar fora ou assegurar que compro em segunda mão.

5. Que livro e que filme lhe foi inspirador?

“The moment of lift” da Melinda Gates: ainda que a filantropa dê especial atenção às mulheres pode-se fazer um constante paralelo entre as mulheres nos países onde a fundação Bill e Melinda Gates actua e todas as minorias no geral, concluindo que ao ouvir e capacitar um grupo (por meio de educação, apoio financeiro, direito de voto, etc) não é só este que sai ‘a ganhar’, mas sim toda a sociedade. Uma vez melhorada a situação de quem estava pior, não só se trabalha para uma sociedade mais justa e igualitária, mas, também este grupo sai mais capacitado para contribuir para a sociedade.

6. Em que lugar se sente feliz?

Rodeado de óptimos amigos durante o dia e de preferência com música e um copo na mão.

7. O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?

Adoro pessoas entusiasmadas: inspiram-me e dão-me motivação. Mas acho que é quando a coisa dá para o torto que mostramos o nosso verdadeiro carácter, por isso, admiro mesmo alguém que saiba fazer um bom pedido de desculpas, assim como alguém pronto a recebê-lo.

8. Se pudesse mudar uma política, qual seria?
Maior incentivo ao ensino público qualificando o mesmo e co-financiamento dos ensinos privados. Não acredito que nenhuma criança ou adolescente deva ser prejudicado na sua jornada por vir de um meio com menos recursos. O sistema da meritocracia não é tão eficaz na vida real como no papel. Acredito sim que seja o papel da sociedade atenuar estas desigualdades garantindo que todos temos acesso às mesmas oportunidades (ou tanto o quanto possível). Além disso, uma sala de aulas diversificada promove a tolerância e proporciona a estes futuros cidadãos uma visão mais alargada da sociedade, que vai para lá do seu meio, e mais consciente do todo que nos rodeia.

9. Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?

Segurança. Segurança em andarmos na rua livres do medo de violarem o nosso espaço e livres de sermos quem queremos ser e como queremos ser.

10. Qual a sua visão de um mundo melhor?

Passa muito pela inclusão social e criação de políticas equitativas, o que acredito que possa acontecer se assegurarmos uma maior diversidade nos cargos de tomada de decisão, de direcção, seja dentro de uma empresa ou na parlamento e assembleia.