Informação sustentável para uma vida mais consciente

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DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estações
Marisa Silva

Fair News

Marisa Silva tem 42 anos, é de Viana do Castelo e vive atualmente em Queluz. Trabalha como livreira e no comércio local.

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?

Só compro comida, algum livro para oferecer, um objecto/utensílio que está a ser necessário para substituição de outro. Troco há muitos anos e reciclo objetos, roupa, livros. Carro só quando outro transporte público não chega lá. Não acumulo, não compro, escolhi não participar no jogo social consumista que nos rodeia.

Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?

Produzir, pelo menos, metade dos alimentos que consumo.

Qual o seu objeto “verde” preferido?

Uso um saco de pano do pão há anos e serve para quase tudo, transporta a marmita para o trabalho, protege livros, compras, é necessaire e anda sempre por perto.

Quem a inspira?

O Thoreau e alguns pensadores mas aqueles que filosofaram fora da academia, longe da secretária e perto das pessoas. Perto da natureza, das coisas simples do mundo.
Gosto de alguns Anónimos no Google, mas que são deuses para muita gente tocada pela sua inspiração ou influência.

Que livro e que filme lhe foi inspirador?

Todos são, todos os livros, todos os filmes e todas as músicas são histórias, e as histórias contam coisas mais ou menos importantes para mais ou menos pessoas. Tudo importa na vida, tudo o que os sentidos abrangem.

Em que lugar se sente feliz?
Num comboio, na cadeira do pequeno almoço, na subida para casa, depende não do lugar físico, mas do lugar das emoções naquele momento.

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
A generosidade é o que mais aprecio, mas nem sempre está ao meu redor…(risos)

Se pudesse mudar uma política, qual seria?
Não acredito em nenhuma política por nenhuma ser exemplar. Não acredito num poder e numa lei que não são praticadas por quem as legisla. Acredito na micropolítica do dia a dia, de proximidade e de acção directa, de generosidade e reciprocidade. Não aguento o despotismo, a impunidade e a descrença de quem nos governa.

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
Conseguirmos ter tempo em vida de nos conhecermos, aceitarmos e vivermos em paz com isso. E existirmos num espaço geográfico sem supremacia, opressão e sem nenhuma força que não a do vento.

Qual a sua visão de um mundo melhor?
Não há um mundo melhor. Existe este e é irreversível o que vai acontecer. A degradação humana está em marcha desde há muito tempo e, consequentemente , a ambiental também. Conseguimos destruir uma enorme possibilidade.
Os que lutamos, somos partículas invisíveis sem voz e sem expressão no enorme circo capitalista instalado.

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
Aquela parte de uma música da Aretha Franklin: Say a little pray for me