Informação sustentável para uma vida mais consciente

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Histórias que nos inspiram

Marcas, pessoas, projetos e objetos
My Cloma

Sofia Dezoito Fonseca

Fair News

O mercado de compra e venda em segunda mão tem vindo a aumentar nos últimos tempos. Além das lojas vintage e de algumas plataformas digitais que já existiam por esta internet fora, a My Cloma chegou em junho de 2020 e em apenas 9 meses veio comprovar que ainda há um caminho por trilhar nesta vertente de moda mais sustentável.

Be Different . Be Cloma

É este o slogan que nos aparece quando abrimos a página da MyCloma. A explicação surge logo depois: “Plataforma online para compra e venda de roupa em segunda mão, que tem como objetivo promover a economia circular” – mas será isto que justifica o enorme sucesso desta iniciativa? Como é que tudo começou?

Ana Monteiro, 20 anos e estudante no 3º ano de contabilidade no ISCAP – IPP, conta-nos tudo: “No ano passado comecei a vender roupa que já não me servia ou que já não me identificava, através das redes sociais. À medida que o perfil ia crescendo em seguidores, fui sendo abordada por várias pessoas no sentido me enviarem a sua própria roupa para eu vender”. Foi aí que se deu o «clique» que está na origem do que é hoje a MyCloma: “fui percebendo que grande parte das pessoas tem interesse em rentabilizar o que já não usa e não havia uma plataforma portuguesa que possibilitasse essas vendas de forma rápida, simples e despreocupada para quem quer vender”.

 

Uma geração com sustentabilidade no ADN

Economia circular, sustentabilidade e reutilização são alguns termos que ouvimos cada vez mais. No entanto, comprar e vender em segunda mão é algo relativamente “novo” para as gerações que nasceram nos anos 70, 80 e inícios dos 90. São as gerações mais jovens que estão a ensinar que não tem problema em fazer circular a roupa já usada, encontrar para ela novos destinos e novos propósitos. “Cada vez as pessoas consomem mais e utilizam menos. E estes são hábitos de consumo muito presentes na sociedade atual que acabam por contribuir muito para o aumento do desperdício têxtil”, explica Ana. “Este é o ponto de partida para a MyCloma: dar uma resposta a esta falha no mercado e simultaneamente contribuir para um despertar de consciências, promovendo um consumo mais inteligente, consciente e sustentável em diversos âmbitos”.

A MyCloma é fruto do trabalho de uma equipa muito jovem que, como diz Ana, tem a sustentabilidade impressa no seu ADN. Numa primeira fase, Ana pediu ajuda ao irmão mais velho, já com experiência na área da gestão, para transformar o seu hobby de vender roupa nas redes sociais num projeto empresarial. “A partir daí, foi tudo muito rápido: estudamos a viabilidade da empresa, convidámos mais dois amigos a entrar nesta aventura, criámos a empresa e o céu é o limite (sorriso). Criar algo de novo, fazer mais e melhor e trabalhar arduamente para o sucesso da nossa empresa é sem dúvida um vértice que a todos nos une e motiva e, quando assim é, tudo acaba por acontecer”.

Uma comunidade 100% “verde”

Talvez seja este o segredo e alma do negócio. É que a MyCloma não é só uma plataforma de venda de roupa usada, mas sim uma comunidade, uma forma de estar, um lifestyle, uma marca verde. “Como empresa que promove hábitos de consumo mais conscientes e sustentáveis, a nossa missão é dar uma segunda vida às peças de roupa que estão em excelente estado de conservação, prolongando assim o ciclo de vida útil da nossa roupa”.

Ao promoverem este tipo de consumo, a MyCloma contribui não só para a redução de recursos consumidos pela roupa nova, como também para a redução do desperdício têxtil, que só em Portugal já perfaz 200.000 toneladas por ano.

A transparência é outra característica diferenciadora desta comunidade: “os nossos clientes sabem qual é a nossa margem de negócio e o que ganhamos. A responsabilidade social e cívica são valores que tentamos também transportar para a nossa empresa e, também por isso, montámos um modelo de negócio que nos permite continuar a doar a roupa que já não tem valor comercial a ONG e IPSS”, explica Ana Monteiro.

Quer comprar ou vender roupa usada? Explicamos passo a passo.

Vender

  1. Entrar no site da MyCloma;
  2. Aceder ao separador “Vender” e preencher com os seus dados;
  3. Serviço de recolha é efetuado no local que indicou;
  4. As suas roupas chegam à sede da MyCloma e inicia-se o processo de triagem e avaliação das peças;
  5. É atribuído um valor a cada peça com base na sua marca, atualidade, estado, entre outros aspetos. Será informado do valor da sua roupa e de quanto vai ganhar com ela;
  6. Para avançar, terá de dar OK, a sua aprovação, e só aí se inicia o processo de fotografar, editar e publicar tudo no site por parte da equipa MyCloma;
  7. No prazo de um mês, o valor ganho com a venda é creditado na sua conta MyCloma, podendo solicitar a transferência da quantia para a sua conta bancária a qualquer momento ou utilizá-la para comprar na plataforma, promovendo assim uma economia circular.

Comprar

Basta aceder ao site e escolher as peças, como em qualquer loja online. Também aqui poderá devolver os artigos, caso não sirvam ou não fique satisfeito. Além disso, todas as encomendas são entregues no máximode 48 horas (em Portugal Continental).

O céu é o limite, mas para já um “passito” até Espanha.

A procura tem sido tanta que durante semanas foi impossível solicitar o serviço de recolha de peças usadas. Neste momento pode preencher um formulário para ficar em lista de espera. É que apesar da grave crise pandémica vivida em 2020, este foi um ano que jamais será esquecido pela equipa da MyCloma. Em apenas 9 meses, desenvolveram a plataforma tecnológica de raiz, registaram um crescimento acelerado das vendas e abriram horizontes através da expansão para o mercado espanhol já no final de março.

Mas apesar de ser incrível, não é tudo. Os cincos jovens empreendedores por detrás do sucesso estabeleceram ainda um conjunto de parcerias notáveis: com a Escola de Moda do Porto (num projeto piloto de upcycling) e com a Auchan de Matosinhos (onde a MyCloma tem um ponto de venda físico).

Para 2021, o investimento será feito em tecnologia para tornar o processo de recolha, triagem e envios mais eficiente. “No final de 2021, com uma parte do investimento já concretizado, esperamos aumentar a nossa eficiência em 90% e dar resposta às centenas de pessoas que temos interessadas em enviar-nos a sua roupa”, concretiza Ana Monteiro.

Conheça os fundadores

Ana Catarina Monteiro, 20 anos, estudante do 3º ano de contabilidade no ISCAP – IPP

Fernando Monteiro, 33 anos, Licenciado em Economia na Universidade do Porto, Pós-graduado em Finanças no ISEG, a frequentar o mestrado de logística no ISCAP – IPP; quadro superior numa multinacional do retalho

Rodrigo Passos, 25 anos, Licenciado em Engenharia Eletrotécnica na Universidade do Porto, Consultor de IT na KPMG

Inês Juvandes, 24 anos, Licenciada em Design Gráfico na ESAD

Ana Raquel, 28 anos, Licenciada em Ciências da Nutrição na Universidade do Porto, Gestora de Unidade Hospitalar

 

Visite o site da My Cloma aqui.