Informação sustentável para uma vida mais consciente

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DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estaçõeS
Natasha von Mühlen

Fair News

Natasha von Mühlen é filha de mãe portuguesa e pai holandês e vive atualmente em Lisboa. Ao longo da sua vida já desenvolveu vários projetos de impacto social e ambiental, tanto na Holanda como em terras lusas. 

É mentora e organizadora do projeto Marketplace Portugal, um mercado social que tem como objetivo reunir no mesmo espaço empresas e instituições sem fins lucrativos e que visa a realização de ‘matches’. 

Natasha é ainda a fundadora da Pikikos, um cabeleireiro que oferece uma experiência única com foco no consumo consciente. A sua missão é alcançar mais pessoas para sensibilizar para as (pequenas) mudanças (individuais ou coletivas), que podem ter impacto na sociedade em geral e um mundo melhor.

A Pikikos inclui ainda uma Concept Store sustentável, café e alguns projetos plugin,

sendo um dos principais o reaproveitamento de camisas de homem para a confecção de pijamas e acessórios para crianças. As peças são confeccionadas no atelier de costura de uma IPSS, tendo assim impacto social e ambiental. 

 

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha? 

Poder inspirar pessoas com ações contínuas e coerentes no dia a dia, sejam as que tenho em casa, sejam iniciativas que promovo através da Pikikos. São pequenos gestos, que se repetidos por todos nós, poderão fazer uma enorme diferença. Ainda há um mundo que não faz ideia sobre como adaptar o seu estilo de vida às mudanças que o planeta exige de nós. É exatamente a esse respeito que à minha dimensão e no meu raio de ação, seja pessoal seja profissional, tento inspirar e sensibilizar aqueles que me rodeiam. 

 

Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?

Gostava de ter um carro elétrico. O ideal seria até fazer tudo de bicicleta, mas com três filhos, a viver no centro de Lisboa, não é prático. 

 

Qual o seu objeto “verde” preferido?

Um filtro para a água da torneira que uso em casa e na Pikikos, para os clientes e para a máquina de café. Além de dar um sabor ótimo à água, é mais saudável. E especificamente este que eu tenho, é um filtro muito sustentável. Aproximadamente 30% da população Portuguesa compra água engarrafada. Isto são muitas toneladas de plástico por ano. 

 

Quem a inspira?

Não há uma pessoa em especial. São várias pessoas com as quais posso aprender e que me inspiram em várias áreas ou temas (educação, arte, culinária, desporto, culturas, ação social, sustentabilidade, entre outros). 

 

Que livro e que filme lhe foi inspirador?

Filme: Earth e Livro: The Celestine Prophecy.

 

Em que lugar se sente feliz? 

Adoro a praia! Tanto no verão como no inverno. Programa perfeito para estar em família ou com amigos. 

 

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?

Pessoas que levam as coisas com otimismo e sentido de humor. Mas também a generosidade é algo que valorizo muito. E gosto bastante de pessoas diretas, sem demasiadas cerimónias. 

 

Se pudesse mudar uma política, qual seria?

A reutilização de águas cinzentas devia ser obrigatória, começando pelos espaços públicos, hotéis, escolas, piscinas, grandes empresas, etc. Não faz sentido usarmos a mesma água que bebemos para puxar o autoclismo. Na Pikikos, por exemplo, nós fazemos isso com a água de lavar as mãos e o cabelo, que é depois reutilizada para puxar o autoclismo. É um mecanismo muito fácil de implementar, e que em cada casa, aproveitando a água dos banhos e máquina da roupa para autoclismos, teria um impacto potencial brutal na poupança de água. Sobretudo num país que tem tanta escassez como Portugal. 

 

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar? 

Neste contexto que estamos a viver, diria a liberdade mesmo. Liberdade de fazer o que escolhemos. 

 

Qual a sua visão de um mundo melhor?

Olhando para a atualidade e para a dimensão dos desafios ambientais que enfrentamos, a minha visão do caminho a seguir já, no imediato, passa muito pela rápida mudança de mentalidades e hábitos de consumo. Para um consumo mais consciente (que envolve tantos temas como reduzir, reciclar, reutilizar, comprar local, natural, orgânico, biodegradável, economia circular, entre muitos mais). Identifico-me bastante com os 17 ODS, porque englobam tudo para um mundo melhor.

 

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?

Acho que nos agradecia de estarmos mais conscientes do que há uns anos. Mas pedia-nos para acelerar para implementar as mudanças, porque temos ainda um bom caminho pela frente. Temos que educar, logo desde crianças, a partir das escolas. Os temas da sustentabilidade deveriam passar a fazer parte do plano nacional de educação. Um tema principal nas escolas. Mas também exigir mais das (grandes) empresas. Recompensar pessoas e empresas com bons hábitos.

 

Saiba mais sobre a Pikikos AQUI.