Informação sustentável para uma vida mais consciente

Informação sustentável para uma vida mais consciente

PENSO, LOGO SOU SUSTENTÁVEL

A opinião de quem sabe
ALESSANDRA RIZZI

Joana Dias da Cunha

Fair News

O documentário que me despertou…

Confesso que, como muitas raparigas da minha geração, fui durante muito tempo quase que obcecada por moda e uma compradora compulsiva de roupa.

Nunca achei nada de estranho neste comportamento até ao dia em que por mero acaso assisti ao documentário intitulado “The True Cost”, através do qual despertei para uma realidade até então completamente desconhecida para mim. Uma realidade tão dura e tão cruel à qual me foi impossível ficar indiferente e que me tocou fundo.

O que descobri neste documentário mudou para sempre a forma como olho para a moda hoje em dia, pois fiquei a conhecer o impacto desta indústria no nosso planeta e na sociedade.

Este documentário alertou-me para 3 factos que me sensibilizaram particularmente:           

1) A industria da moda é uma das indústrias mais poluidoras do planeta.

2) O mundo consome mais de 80 bilhões de peças de roupa anualmente (400%  mais do que há duas décadas atrás).

3) Uma em cada seis pessoas trabalha para a indústria da moda hoje em dia. A maior parte destas pessoas são mulheres e recebem menos de 3$ por dia.

Depois de ver este documentário, percebi que a moda é uma atitude que só depende de nós e das nossas escolhas. No meu caso, comecei a comprar marcas alternativas, que estivessem alinhadas com os meus valores e que tivessem um propósito para além de simplesmente vender.

O movimento Fashion Revolution

Ao longo deste caminho fui-me cruzando com diversas pessoas e movimentos ligados à moda sustentável e descobri um mundo novo. Um dos movimentos que me impactou foi a Fashion Revolution, que surgiu após a tragédia da fábrica de roupa Rana Plaza no Bangladesh dia 24 de Abril de 2013, onde morreram 1138 pessoas. Ao longo dos anos, a Fashion Revolution tornou-se um movimento global, pressionando a indústria da moda para ser mais transparente e responsável.

O lado cool da moda sustentável

Durante este percurso fui também desmistificando alguns mitos e estereótipos e descobri que a moda sustentável pode e deve ser sexy e divertida, não tem que ser aborrecida.

No âmbito da Fashion Revolution Week, que é celebrada todos os anos em Abril, a Fair Bazaar e a fotógrafa Alessandra Rizzi decidiram desenvolver um projeto com o intuito de mostrar que a moda sustentável é bem mais divertida do que a percepção geral do público. Uniram-se a vários artistas e marcas para criar um editorial com o mote “O lado cool da moda sustentável”.

Acredito que culpar ou apontar o dedo a quem compra de forma inconsciente só afasta as pessoas da sustentabilidade. Se o objetivo é  atrair o público para a sustentabilidade temos que mostrar como é divertido fazer parte deste movimento e envolver as pessoas para que queiram naturalmente juntar-se ao movimento.

“Queremos ser livres.Queremos libertar-nos de estereótipos e de tudo o que não está certo neste planeta. Queremos que a cor e a diversão sejam bem-vindas neste mundo mais amigo do planeta. Queremos ser a voz que fala sem medo e que nos une sem qualquer tipo de repressão” conta Alessandra Rizzi que produziu o editorial.

Agora é o momento de aproveitar a “frieza inerente” da sustentabilidade e torná-la sexy. Só assim é que vamos conseguir motivar as pessoas para, por um lado, consumir melhor e, por outro, exigir uma produção sustentável às marcas.

Créditos:
Photography e Creative Direction
 – Alessandra Rizzi
Production– Fair Bazaar e Alessandra Rizzi
Styling – Sofia Fonseca (Healthy Project)
Video – Joana Caiano
Models – Constança Sousa e Sofia Emiko (Karacter)
Make Up Artist – Teresa Cadete (Kitchen Makeup Boutique) assistida por Inês Ferreira