Informação sustentável para uma vida mais consciente

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PENSO, LOGO SOU SUSTENTÁVEL

A opinião de quem sabe: Cristina Saraiva
Cristina Saraiva

Cristina Saraiva

Organizadora Profissional

Destralhar é fundamental num processo de organização. Fazer uma seleção dos seus objetos, tomar decisões sobre o destino que lhes quer dar é necessário quando está a organizar um espaço. Seja ele uma gaveta ou uma casa inteira. Se para muitos, a palavra “destralhe” ou “descarte” soa a asneira (pois associam a colocar no lixo), para muitos é uma forma de se libertarem de objetos e de em muitos casos, dar-lhes uma segunda vida.

Nunca o tema da reciclagem ou reutilização de objetos esteve tão na moda. E ainda bem. Todos os dias aparecem mais lojas online e físicas, de objetos ou roupa em segunda-mão, onde é possível comprar todo o tipo de artigos em boas condições e a preços realmente muito convidativos. Aliás, cada vez existem mais e mais pessoas que só consomem desta forma e que fazem da economia circular um modo de vida.

Eu, enquanto consumidora, tenho cada vez mais consciência de que a minha forma de consumir tem de se alterar, por exemplo, evito ao máximo ter ou usar produtos “descartáveis” ou de “single use”, tenho muito mais cuidado com o desperdício alimentar e também sou muito mais ponderada na compra do que for cá para casa, privilegiando a reutilização ou a compra em segunda-mão. Cada vez é mais raro colocar algo no lixo, pois na maioria dos casos, opto por dar outro destino a esse objeto. E sim, colocar no lixo dá muito menos trabalho. Sim, fazer um bom descarte ou destralhe vai dar sempre mais trabalho. Mas eu acho que o esforço compensa. Por um lado, porque o planeta agradece (e os meus filhos também) e por outro, porque fico com um sentimento de paz, especialmente quando sei que outra família ou outra criança vai dar bom uso a esse artigo.

E eu, enquanto organizadora profissional, acredito que existe um papel muito importante da organização neste ciclo de vida do consumo, do qual o destralhe é uma fase. Se cada vez mais pessoas estão a dar valor aos seus lares, também começam a dar valor ao seu conteúdo e à forma como este conteúdo convive dentro de casa. Se a pandemia trouxe algo de bom, esta foi uma delas. Quantos de nós não nos vimos fechados em casa a tentar viver, trabalhar e descansar no mesmo espaço e a apercebermo-nos que tínhamos objetos a mais? Verificar que a rotina diária não funcionava da melhor forma porque não encontrava as coisas que precisava (mas que sabia que tinha algures em casa)? É aqui que entra o poder da organização, ao ajudar a fazer as escolhas certas sobre o destino que quer dar aos seus objetos. Por isso, se sente que tem coisas a mais, que está a precisar de um bom destralhe, de organizar a sua casa, o seu escritório ou simplesmente porque vai mudar de casa, continue a ler, porque vou dar algumas dicas de como pode fazer um destralhe consciente, ou seja, tomar boas decisões sobre o destino de cada coisa que já não quer (evitando ao máximo o lixo).

Processo de organização

Mas antes de passar as dicas especificas sobre o destralhe, gostaria de falar um pouco sobre o processo de organização em si e como pode ser utilizado em qualquer espaço e que essa organização perdure no tempo:
1. Retire todo o conteúdo do espaço a organizar.
2. Reveja peça a peça e tome uma decisão sobre o seu destino (descartar) – mais a baixo dou algumas ideias do destino que lhes pode dar.
3. Categorize o que fica e que irá ser guardado novamente. Neste passo, junte objetos do mesmo tipo e encontre um lugar para eles.
4. De seguida, identifique o local, ou seja, coloque nomes nas coisas para facilitar e prolongar a organização. Autocolantes são excelentes auxiliares nisto.
5. Mantenha a organização criando rotinas para manter a ordem das coisas e de tempos em tempos, faça uma revisão e adapte, caso a rotina mudar ou essa organização já não esteja ajustada à realidade.
6. Por último, não deixe os objetos “descartados” muito tempo à espera de o serem. Faça-o o mais rapidamente possível.
Agora que já sabe um pouco mais sobre o processo de organização, vou dar-lhe algumas dicas sobre como descartar ou destralhar da melhor forma.

5 dicas para destralhar de forma mais consciente
Se é uma pessoa que se preocupa com este tema, vai de certeza gostar de perceber como o pode fazer melhor. Se por outro, nunca fez descarte antes (e muito menos de forma consciente) siga estas 5 dicas muito fáceis de implementar para dar o primeiro passo.

1. Prepare-se – Prepare vários cestos, caixas ou sacos para fazer a seleção e separação dos objetos por categorias. Coloque post-its, escreva com uma caneta de acetato ou use os cartões de destralhe que tenho disponíveis no meu blog para ajudar a separar de forma correta os seus objetos.

2. Selecione e separe – Faça a separação, alocando cada objeto no seu destino:
• Ficar – para os objetos que gosta e que são para ficar.
• Devolver – para os artigos que lhe foram emprestados e que devem ser devolvidos aos donos. Livros, roupa e tupperwares costumam ser os objetos mais emprestados.
• Arranjar – para os objetos que não utiliza de momento porque têm de ser arranjados, mas que gostaria de manter. Alguns exemplos podem ser, relógios que não têm pilhas, calças com bainhas por fazer ou camisas sem botões.
• Vender – para os objetos que estão em bom estado, mas que já não usa ou precisa. Roupa ou objetos de bebés e crianças, móveis e artigos de decoração. Vender é uma ótima oportunidade de receber de volta o seu investimento e dar oportunidade a outras pessoas de comprar objetos em bom estado por um preço reduzido.
• Reciclar – para os objetos que podem ser reutilizados com algumas alterações. O garrafão de vidro que pode ser um candeeiro ou a palete que pode ser um sofá no jardim. Mas cuidado com esta categoria. Garanta que vai mesmo fazer algo com esse objeto e defina prazos. Caso contrário, voltará a ter de “destralhar” em breve.
• Doar – para os objetos que estão em bom estado e que não quer vender.

3. Escolha o destino – Ter uma lista à mão de sítios onde vender ou que aceitam doações é meio caminho andado para evitar que esses objetos vão parar ao lixo. Faça uma pesquisa rápida pela sua zona de residência e liste as instituições, escolas, lares, hospitais/clinicas, igrejas, bibliotecas que aceitam doações. Pode pesquisar no google, falar com vizinhos ou perguntar em grupos nas redes sociais. Alguns exemplos:
a. Pode dar produtos de higiene pessoal a instituições de sem abrigo.
b. Doar livros a hospitais como o IPO ou entregar em bibliotecas.
c. Oferecer tampas, rolhas ou material para atividades artísticas à escola do seu filho.
d. Usar as redes sociais (as suas ou de grupo) para colocar estes artigos à disposição de quem os poder vir buscar no próprio dia.
e. Use plataformas como o OLX ou a Facebook Market para colocar à venda os sues artigos. Faça uma pesquisa antes para perceber os preços médios, tire boas fotos e faça uma descrição apelativa, indicando os defeitos.
f. Coloque roupa pra doar nos contentores próprios espalhados pela sua zona de residências. Muitas vezes estes contentores também aceitam brinquedos e sapatos.

4. Passe à ação rapidamente – o pior erro que pode cometer é deixar os sacos com objetos que escolheu descartar em casa muito tempo. Uma vez feita a seleção deverá livrar-se deles o mais rapidamente possível:
a. Combine a entrega de doações nas instituições ou locais escolhidos ou divulgue online que tem estes objetos para dar, estipulando um prazo de recolha.
b. Coloque no seu carro os sacos de objetos para o lixo e despeje no próprio dia. E o mesmo para os sacos com objetos que quer colocar nos contentores.
c. Defina uma data para “reciclar” aquele objeto que decidiu reaproveitar.
d. Tire fotos aos objetos que quer vender e coloque à venda nessa semana. Estipule um prazo de venda e caso não o consiga cumprir, considere baixar o preço ou então doar.

5. Mude a sua forma de consumir – quanto menos coisas a mais tiver em casa, mais fácil será manter a organização da mesma. Mudar a sua forma de comprar e de utilizar os objetos, pode fazer toda a diferença na manutenção da organização na sua casa. Por exemplo:
a. Compre só o necessário e se possível, produtos que possam ser reutilizados (e não descartados, depois de utilizar).
b. Limite o espaço disponível para os objetos. Se só tem um roupeiro onde cabem 10 vestidos, não pode comprar mais, ou então terá de doar ou vender antes de adquirir uma nova peça.

No fim, não só sentirá um sentimento de dever cumprido por ter tomado a decisão certa em relação ao destino dos seus objetos, dando em muitos casos a oportunidade de terem uma segunda vida, mas também um sentimento de leveza e paz de ficar com o que realmente quer e precisa em sua casa.

Acompanhe o trabalho de Cristina Saraiva AQUI.