Informação sustentável para uma vida mais consciente

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HISTÓRIAS QUE NOS INSPIRAM

Marcas, pessoas, projetos e objetos
Ruben Branches / Fair Bazaar
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Filipa Veiga

Editora e professora de Yoga

Pedro Norton de Matos é apaixonado pela vida. “A Natureza é a nossa essência e, mais tarde ou mais cedo, precisamos de nos ligar ou re-ligar com a essência da humanidade. A Natureza resulta de quatro mil milhões de anos de evolução e todas as respostas (ou quase todas) é aí que estão”, defende o fundador do Greenfest

Entusiasta de pessoas, Pedro Norton de Matos adora também a flora e a fauna. Fazer longas caminhadas na natureza, fotografar a paisagem e sorrir são algumas das coisas de que mais gosta. O empresário vê na Natureza a nossa grande mãe e a mais inteligente de todas. “É uma máquina sem desperdício e precisamos de aprender com ela, sendo menos antropocêntricos e tornando-nos mais humildes”, defende. “Espero e acredito que, através da educação, pesquisa e desenvolvimento, vamos maturando uma visão mais holística e reconectada com a Natureza como um todo.”

Rosto da maior plataforma da comunidade sustentável em Portugal, criou o Greenfest há 12 anos e, em cada edição, cria oportunidades para quem quer mudar a sua perspetiva. “O Greenfest é um movimento e uma plataforma, onde as melhores práticas sustentáveis são partilhadas, entre pessoas com boas vontades”, descreve. “Ao longo da minha vida, fui testemunha do progresso em várias áreas, o mundo mudou muito e tornou-se muito avançado, mas, por outro lado, vemos a destruição dos recursos e do ambiente. Tivemos um crescimento económico, mas não tivemos um crescimento da felicidade. Chegámos à lua e a outros planetas, mas falhámos a chegar aos nossos vizinhos”, afirma, consciente de que evoluir requer mudança e vontade. “Senti a necessidade de me tornar um cidadão mais ativo, acreditando que cada um de nós pode ser um agente de mudança, capaz de de transformar o mundo ou, pelo menos, o micro mundo em que vive.”

O modelo do sistema em que vivemos está obsoleto, mas a consciência tem sido desperta e sabemos para onde ir, acredita Pedro Norton de Matos. Os humanos resistem à mudança de hábitos e alguns não querem ver como a mudança é urgente – torna-se, por isso, necessário despertar consciências. Esta é a mensagem do movimento Greenfest. Durante o festival, as pessoas podem aprender e informar-se sobre como podem contribuir no processo de limpar o mundo.

“Percebemos que vivemos numa economia de desperdício tremendo. De facto, o nosso crescimento atual gera mais desperdício. Desperdiçamos água, comida, energia e o poder das pessoas. Muitos ainda não estão empenhados e não percebem o poder que temos enquanto cidadãos e consumidores”, nota Pedro Norton de Matos.
Mudando os nossos hábitos de consumo, somos capazes de mudar a produção e, assim, proteger o planeta.

Esta é outra bandeira do Greenfest, que junta pessoas durante vários dias para alertar para a situação. “A nossa intenção é aumentar a consciência e empoderar as pessoas para que ajam e mudem os hábitos criados no mercado de hiper consumo.” Pedro Norton de Matos defende a urgência de começar já. Os desafios vão aumentar com o crescimento da população e não há tempo a perder. “Enfrentamos muitos desafios, nomeadamente para alimentar e abrigar mais pessoas nas próximas décadas. Encontrar o balanço certo e justo entre o crescimento económico, a natureza e as necessidades das pessoas, é um dos maiores desafios.”

O empresário está empenhado em redesenhar o sistema industrial de produção e consumo, pensando em padrões circulares do uso dos recursos e da energia. “Acredito profundamente que a economia circular e regenerativa pode guiar-nos para alcançarmos essa visão. É também a chave para lutar contra as mudanças climáticas. Tal como John Fullerton & Hunter Lovins escreveram no seu livro A Finer Future, creating and economy in service to life, ‘a transição para uma Economia Regenerativa é sobre ver o mundo de maneira diferente – uma mudança para uma visão económica do mundo na qual a Economia é o modelo. O processo regenerativo que define sistemas vivos e prósperos deve definir o próprio sistema económico’.”

Se aprendermos a perceber a riqueza de forma holística mais do que só em termos monetários, iremos perceber que, regenerando a saúde e a riqueza das nossas comunidades e ecossistemas, estamos a criar riqueza para todos. Faz tudo parte do processo de crescimento. “Outro grande desafio é transformar a tecnologia e aplicá-la para o bem e não para o mal. Na verdade, se usarmos a tecnologia para alimentar a economia regenerativa, será fantástico. No entanto, os riscos e perigos são também muito elevados, porque ter a tecnologia a matar a empatia pode ser o fim da espécie humana.”

Mantemos os corações abertos e positivos porque é essa a atitude a ter na evolução. “Cada um de nós pode fazer a diferença no mundo. Nas nossas vidas diárias podemos agir e comportarmo-nos tomando em consideração o impacto social e ambiental. Podemos mudar muitas rotinas, substituir velhos hábitos por outros novos que respeitem a natureza e os nossos concidadãos. Os nossos esforços multiplicados por mil milhões de pessoas vão criar um mundo novo.” É preciso acreditar e agir.