Informação sustentável para uma vida mais consciente

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A opinião de quem sabe: João Pereira Leite
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João Pereira Leite

Professor Universitário, sócio fundador das empresas SEED e Luminous, e coach profissional.

Sabia que a inteligência emocional e a autoestima afetam a sua decisão de compra?

Ninguém quer ser pouco inteligente nem gostar pouco de si próprio, mas a verdade é que estamos a usar pouco a nossa inteligência emocional na decisão da compra e o excesso de compras é, em parte, explicado pela nossa falta de autoestima.

Cedemos mais facilmente à tentação da satisfação pessoal, do que a uma decisão mais altruísta. Altruísta porque a maioria das nossas compras não resulta de uma necessidade básica e há um preço que se paga por isso. E não é o custo da etiqueta.

É um duplo custo: um pessoal e outro coletivo.

Um custo pessoal.

Existem muitos estudos que explicam que a compra rápida e por impulso é feita sobretudo por razões afetivas. Ou seja, é emocional. Ao cedermos ao impulso emocional da compra “não-essencial” (e muitas vezes, não planeada), sem saber, estamos a alimentar uma satisfação pessoal que é insaciável e que só descansa quando regressa à compra. Ou seja, de forma inconsciente, estamos a reforçar o hábito e a necessidade de mais compras. É um hedonismo aditivo.

As empresas, de forma oportunista, exploram isto. Os investidores apostam em quem sabe vender rápido. Sabia que um dos principais critérios para avaliação financeira de uma Startup é o número de clientes com cartões de crédito registados no sistema da empresa? Porque há muito tempo que estas empresas perceberam que, se as compras são feitas por impulso, quando mais rápido for o processo de compra, maior garantia têm de que o cliente não desiste. Como na maioria das vezes não são necessidades básicas, se demorar muito tempo, o cliente desiste e vai comprar noutro lado onde seja mais fácil e rápido. Nem que tenha de pagar mais.

Sendo assim, antes de comprar, deveríamos perguntar-nos: qual a verdadeira necessidade por detrás desta compra? Vou mesmo usar ou consumir isto? Será que quero compensar algum “vazio” com esta compra? Será que quero impressionar alguém? Há alguma imagem que quero preservar?

Se não comprássemos em excesso, nem seguíssemos o impulso das nossas emoções, talvez fosse uma oportunidade para estarmos mais alinhados connosco próprios e sermos mais autênticos.

Além disso, há variadíssimos estudos que confirmam uma correlação entre compras em excesso e falta de autoestima. Pessoas com menos autoestima e pouco realizadas, têm maior tendência para fazer compras sem necessidade. E se o contrário também for verdade? E se as compras em excesso aprofundarem a falta de verdadeira autoestima?

Um custo coletivo, porque somos mais de 7 biliões de humanos e o nível de consumo atual já é insuportável. Imagine-se o que aconteceria ao planeta, se todos tivessem oportunidade para seguir esse mesmo impulso?

Será que não conseguimos mudar os nossos hábitos? Por experiência própria, e por defeito de profissão, sei como é difícil mudar de hábitos. Eu até sou um otimista, mas neste aspeto já fui muitas vezes vítima do meu próprio otimismo.

A boa notícia é que isto se treina. A neuro-plasticidade já provou que podemos alterar processos cognitivos e aprender a gerir as nossas emoções. Nunca ouviu a expressão “neurons that fire together wire together”? Significa que é possível treinar a mente, aprender a gerir as emoções e adotar novos hábitos de forma definitiva.

Para mudar de hábitos, tudo começa em PARAR. Em ganhar consciência do que sentimos, das nossas emoções. Perceber a emoção, sentir a tentação a surgir e, antes de comprar, conseguir perguntar-se: será que preciso mesmo disto?

Reconhecer as emoções ajuda-nos a identificar a sua origem. Por sua vez, isso ajuda-nos a desbloquear hábitos antigos e a adotar novos mais alinhados com os nossos valores. Ajuda-nos a priorizar, pensar e agir criteriosamente com base no que sentimos que está certo. E, com a informação hoje disponível, é mais fácil saber o que está certo. Se todos mudarmos os nossos padrões de consumo um bocadinho, já é muito bom. 

A cereja no topo do bolo é que ao ganhar consciência das emoções, essa capacidade de PARAR antes de reagir, começará a estender-se para outras dimensões da sua vida. Ou seja, ao treinar a atenção à nossa mente e às emoções, estamos a criar condições para aumentar a nossa autoestima e o nosso bem-estar no longo-prazo.

Na dúvida, seja altruísta. Pense nos outros, no futuro e no planeta.

E, talvez de forma inconsciente, estará também a cuidar de si.

www.seed-coaching.com