Informação sustentável para uma vida mais consciente

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A opinião de quem sabe: António Pires de Lima
Ralph Hutter - Unsplash

António Pires de Lima

CEO na Brisa

Em Portugal, o setor dos transportes rodoviários é responsável por cerca de 24% da emissão dos gases com efeito de estufa (GEE). A descarbonização da economia, também nesta área, é uma prioridade: espera-se, ainda esta década, que o automóvel elétrico assuma um papel determinante no segmento dos veículos ligeiros e, porventura o hidrogénio, uma preponderância nos veículos mais pesados.

Apesar de em 2020 mais de 10% das viaturas vendidas em Portugal terem sido já elétricas ou híbridas, a quarta maior taxa de penetração na União Europeia, a quota de utilização dos carros elétricos é ainda reduzida. Em toda a Europa, num ano em que a venda de automóveis caiu quase 24%, a venda de automóveis elétricos cresceu 217% e a de híbridos 331%. No mesmo período, o número de carregadores elétricos cresceu apenas 35%, para 285.000, sendo que apenas um em cada sete são carregadores rápidos, permitindo um abastecimento da viatura em menos de 30 minutos. Um dos grandes obstáculos à necessária e rápida transição para a mobilidade elétrica é a falta de conveniência da solução, nomeadamente a dificuldade que surge quando queremos realizar viagens de longa distância ou quando precisamos de realizar várias deslocações no mesmo dia. 

Se é certo que vão sempre surgindo modelos de automóveis com autonomia cada vez mais interessante, atingindo ou superando os 500 kms, não é menos verdade que, nomeadamente fora das zonas urbanas, Portugal carece de uma rede de carregamento com a densidade e rapidez de abastecimento desejável para que um condutor se decida, facilmente, viajar do Minho ao Algarve no seu automóvel elétrico. 

As falhas de infraestrutura só se superam com investimento e num registo colaborativo. Foi, pois, com muito orgulho que recentemente tive a oportunidade, em nome da Brisa, de anunciar uma parceria entre sete entidades privadas:  EDP, Galp, Ionity, CEPSA, BP, Repsol e, claro, a Brisa, para a instalação de 82 postos de carregamento super-rápido, (em cerca de 20 minutos) na maior rede de autoestradas nacional, que liga o Algarve ao Minho, o Porto a Vila Real e Lisboa a Elvas. Já este Verão de 2021 não vai existir desculpa: poderá fazer a sua viagem de Valença a Faro no seu automóvel elétrico. 

Com a aposta crescente das grandes marcas na oferta de uma diversidade de modelos alimentados a energia elétrica ou híbridos, com benefícios fiscais relevantes associados à sua compra e uma rede de carregadores densa e que cubra todas as geografias deixa de haver barreiras: a descarbonização dos transportes é o desafio, cada um de nós pode contribuir decisivamente com as suas escolhas!