Informação sustentável para uma vida mais consciente

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Penso, logo sou sustentável

A opinião de quem sabe
Markus Spiske

Joana Cunha

Fundadora Fair Bazaar

Recentemente, a revista Maag fez-me algumas perguntas a propósito da Black Friday e as respostas levaram-me a uma reflexão sobre este dia em que todos correm para as lojas e compram sem pensar duas vezes mas apenas porque os preços estão mais baixos.

Confesso que, como muitas raparigas da minha geração, fui durante muito tempo um pouco “obcecada” por moda e uma compradora compulsiva de roupa. O resultado deste comportamento traduziu-se em armários cheios de vestuário que por vezes vestia apenas uma vez. O desperdício era enorme.

As compras por impulso são, sem dúvida, um dos temas mais relevantes quando se fala da implementação de processos mais sustentáveis no setor da moda. Estas resultam maioritariamente do conceito de descartabilidade da roupa a que estamos geralmente habituados. Somos todos produtos da sociedade de gratificação instantânea em que vivemos. Infelizmente, hoje, o fast fashion está presente em todo o lado. Se formos a um centro comercial, é provável que nos encontremos rodeados de cadeias destas marcas – que produzem roupas baratas e de produção antiética – e isso é bastante tentador. Mesmo que não precisemos realmente de uma nova camisola ou de um par de calças, os anúncios com modelos atraentes e felizes a vestir as últimas tendências chamam a nossa atenção e sem nos darmos conta caímos nessa armadilha. Não paramos para refletir e questionar o ciclo de vida das roupas nem sobre o seu país de origem. Estudos atuais mostram que 50% das roupas que temos em casa não são usadas e que, só no Reino Unido, mais de 300 mil toneladas de roupa vão parar aos aterros.

Além disso, muita da informação atualmente disponível não é clara e o conceito de “sustentabilidade” é, muitas vezes, utilizado de forma incorreta ou enganadora (o chamado greenwashing). Isto faz com que os consumidores não tenham acesso a conteúdos fiáveis e gera muita confusão na hora de atuar.

A indústria da moda é uma das indústrias mais poluidoras do planeta e o mundo consome mais de 80 mil milhões de peças de roupa anualmente (400% mais do que há duas décadas). Estima-se que em 2030, a indústria global de moda e calçado tenha crescido 81%. Isso vai causar uma pressão enorme no nosso planeta e nos seus recursos. Se não pararmos já e não mudarmos o nosso comportamento, as consequências nefastas serão ainda mais difíceis de superar.

Acredito que a solução passa por uma mudança de consciência e atitude em cada um de nós, começando por pequenos gestos. A nossa exigência levará a uma adaptação das empresas que produzem e é isto que fará verdadeiramente a diferença. O comportamento dos consumidores tem vindo a mudar. O aumento da consciencialização e do interesse dos consumidores em relação às condições de trabalho, à contratação ética e justa ou às políticas ambientais está a alterar os padrões de consumo em todo o mundo. A indústria de moda está sob uma crescente pressão para repensar a sua forma de fabricação, distribuição e venda para uma forma mais ética. Também outras grandes empresas a operar em setores distintos estão a dar importantes passos nesta área através da introdução de iniciativas de consciencialização e proteção ambiental, fruto, em grande parte, da crescente exigência por parte dos consumidores.

Durante este percurso de descoberta e aprendizagem, comecei a construir um conjunto de perguntas que me ajudam no processo de compra: Preciso mesmo desta peça? Vou usá-la quantas vezes? Onde é que foi produzida? De que materiais é feita? É possível ser reciclada? Não há nenhuma ciência por detrás disto, o objetivo é mesmo tornarmo-nos mais conscientes durante o nosso processo de decisão – e isso vai certamente ajudar-nos a comprar menos e melhor.

Sim, acredito que a slow fashion pode ser divertida e sexy. Acredito que se quisermos usar a nossa roupa como uma forma de identidade e expressão, então devemos escolher peças de uma forma inteligente, devemos escolher roupas e acessórios para contar uma história, uma missão, uma decisão consciente. Devemos fazer com que este movimento slow fashion seja contagiante.

Espero que daqui a 10 anos, as pessoas olhem para trás e pensem no impacto que estamos a causar no planeta. Andamos a matar milhões de animais, a cortar milhões de hectares de floresta tropical e a usar água da maneira mais ineficiente. Isto tem de acabar, não podemos continuar a ter este modo de vida, é completamente insustentável. Espero que as pessoas acordem um dia e se questionem: A sério? Foi preciso tudo isto para fazer um par de sapatos?

Veja aqui as nossas dicas para um consumo de moda consciente