Informação sustentável para uma vida mais consciente

Informação sustentável para uma vida mais consciente

DIZ-ME O QUE FAZES, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Inquérito para quatro estaçõeS
Teresa Fortunato

Fair News

Teresa Fortunato é consultora de negócios e life coach. Aos 44 anos, é fã das coisas simples e genuínas e procura passar o exemplo de uma vida mais sustentável e consciente aos seus três filhos. É na sua casa de campo, em Sintra, que construiu a sua hora durante a primeira quarentena e onde põe em prática práticas sustentáveis in loco, como a compostagem doméstica.

Qual o hábito sustentável de que mais se orgulha?
Tenho 3 hábitos de que muito me orgulho. Aproveitar a água do duche enquanto aquece. Somos 5 em casa e percebemos o quanto desperdiçávamos quando começámos a aproveitar! E é muito simples: basta ter um baldinho (que depois usamos para a sanita) e um garrafão de vidro com torneira (que usamos para beber e cozinhar).
O outro hábito é a compostagem. É também muito simples: temos um baldinho com tampa na cozinha e aí vamos colocando todos os restos de legumes, cascas de fruta, cascas de ovos, borras de café… Depois pomos num combustor que construímos na quinta onde vivemos … et voilá! Passado pouco tempo temos um ótimo composto para pôr na nossa horta! Reduzimos imenso as vezes que vamos colocar o lixo no lixo comum! O outro hábito é levar as minhas caixas/frascos/sacos de pano sempre que vou ao supermercado: o saco para trazer o pão, as caixas para trazer charcutaria e peixe, os frascos para trazer farinhas, frutos secos e leguminosas a granel. Os empregados do supermercado onde vou habitualmente já me conhecem e dizem: a senhora das caixas. E no outro dia até um cliente comentou: “Que boa ideia! Tenho sacos do pão da minha avó que vou passar a usar.”

Qual a mudança ecológica que quer fazer, mas ainda não conseguiu?
Gostava muito de ter um carro elétrico. E também gostava de eliminar os (poucos) produtos que ainda compro embalados em plástico. Já levo as minhas caixas/frascos/sacos de pano mas, infelizmente, ainda há produtos que tenho de tentar encontrar alternativas plastic free.

Qual o seu objeto “verde” preferido?
O copo menstrual. Tive alguma resistência em experimentar, mas depois foi uma decisão com um enorme impacto ambiental.

Quem a inspira?
Tenho várias pessoas que me inspiram nas minhas áreas de eleição: sustentabilidade, mindfulness, coaching, culinária, meal prep, organização, entre outras.

Que livro e que filme lhe foi inspirador?
O livro é sem dúvida Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach.
O filme tenho vários e bem diferentes entre si: Braveheart, A Princesa prometida, O Segredo

Em que lugar se sente feliz?
Em casa, sem dúvida! Adoro a minha casa. Sozinha, em família ou com amigos.

O que mais valoriza nas pessoas à sua volta?
Pessoas que me mostrem outras formas de “levar a vida”. Pessoas simples e genuínas. Pessoas bem dispostas e bem humoradas.

Se pudesse mudar uma política, qual seria?
Eliminar o desperdício alimentar. É impressionante o que se desperdiça na cadeia alimentar, desde a plantação até à cozinha de cada um, passando pela colheita e distribuição. Vou várias vezes à Lezíria no Ribatejo e apanho “os restos” que as máquinas não apanham. Só um exemplo recente: eu e os meus filhos em menos de 1 hora apanhámos cerca de 100kgs de cenoura que as máquinas não apanharam nos campos e que iriam ficar na terra; distribuímos pela família e amigos e congelámos.
É de louvar iniciativas como a Fruta Feia com o objetivo de “reduzir as toneladas de alimentos de qualidade que são devolvidos à terra todos os anos pelos agricultores e com isso evitar também o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção, como a água, as terras cultiváveis, a energia e o tempo de trabalho. Ao alterar padrões de consumo, este projecto pretende que no futuro sejam comercializados de forma igual todos os produtos hortofrutícolas com qualidade, independentemente do tamanho, cor e formato.” Vale mesmo a pena seguir o trabalho da Fruta Feia.

Qual a maior liberdade a que podemos aspirar?
A liberdade de sermos fiéis … a nós próprios.

Qual a sua visão de um mundo melhor?
Um mundo que aprecie e viva mais o presente. Vivemos virados para o dia de amanhã e o agora já é passado.

Se o Planeta nos pudesse falar, o que imagina que nos diria?
Penso que nos diria que está muito grato por todas as mudanças que já conseguimos implementar. Mas também nos desafiava a fazer mais porque acredita que somos capazes.