Informação sustentável para uma vida mais consciente

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UMA CONVERSA COM

Entrevista sem pressa
Tomás Magalhães

Sofia Dezoito Fonseca

Fair News

Tomás Magalhães foi desde muito cedo empreendedor das suas próprias convições. A sua paixão pela filosofia e o seu interesse pelo altruísmo levaram-no a envolver-se no movimento do Altruísmo Eficaz. Em 2017 fundou o Kolkata Monsoon Relief, um projecto sem fins lucrativos que já ajudou mais de 4000 famílias sem-abrigo nas ruas de Calcutá.

Há uns tempos decidiste tirar um ano sabático para viajar pelo mundo. Nessa altura já tinhas em mente vir a tornar-te voluntário e fundar o teu próprio projeto de voluntariado?
Quando comecei a viagem já tinha a borbulhar na cabeça uma ideia mais tecnológica e disruptiva na área do trabalho humanitário mas era uma ideia para ir desenvolvendo para depois lançar em Portugal. Sabia que passaria mais de metade desse ano sabático na Índia e que queria fazer todo o tipo de voluntariado mas fundar o meu próprio projecto na Índia foi inesperado. Tudo começou porque uma família me pediu ajuda.

Das viagens que já fizeste até agora, qual a que mais te marcou e porquê?
A melhor parte de viajar é a redefinição da palavra normal. Nesse sentido, tenho a sorte de já ter viajado em muitos sítios onde senti que estava num planeta à parte. Assim de repente diria China, Índia e Irão. Se tivesse de escolher uma viagem seria claramente a viagem à Índia. Marcou-me em muitas dimensões de vida. Para além de ter começado o Kolkata Relief (que mudou a minha vida) marcou-me de muitas outras formas. Comecei a aprender um instrumento novo – o Sitar que continuo a tocar hoje; aprendi muito sobre Sikhismo, Hinduísmo, Budismo, Islão e Cristianismo; diverti-me que nem um bartolo, sofri, percorri aquele país aos zigzags dos Himalaias até à ponta sul. A Índia é perfeita para aprender o que quer que seja.

Que conselhos darias alguém com vontade de viajar pelo mundo? É preciso uma preparação ou simplesmente deixar-se levar na viajem?
Para viajar assim mais tempo, eu diria para fazerem uma pequeníssima preparação geral no que toca a material e vacinas mas de resto não planear grande coisa. Deixar-se levar. Fazer Couchsurfing. Repito – fazer Couchsurfing. Evitar hotéis demasiado bons – mesmo que tenhas dinheiro. Desinstalar as redes sociais do telefone durante a viagem.

A Kolkata Monsoon Relief é uma associação sem fins lucrativos que já ajudou milhares de pessoas. Explica-nos um pouco o vosso trabalho. A sua área de atuação é apenas no estrangeiro ou também em Portugal?

Após o rebranding somos Kolkata Relief (sem o monsoon). Atuamos apenas na Índia onde ajudamos as populações sem-abrigo e residentes de slums na cidade de Calcutá. Guiamo-nos pelos princípios do Altruísmo Eficaz, nomeadamente a maximização da transparência e do impacto. Podem saber tudo em www.kolkatar.org – não imaginam o que está a acontecer nesse site.

Na tua opinião, a pandemia que vivemos atualmente veio agravar as desigualdades sociais? Se sim, em que medida?
Antes de mais, e na linha do que tenho dito no Despolariza, a minha opinião sobre temas económicos é irrelevante! Onde há factos há pouco espaço para opinar. Tendo dito isso, os dados e relatórios recentes parecem indicar que sim, que haverá um agravamento. Normalmente quem tem capital significativo consegue circulá-lo para as indústrias que beneficiam dessa mesma crise – ou pelo menos não a sentem tanto. Quem depende exclusivamente do seu trabalho do dia-a-dia costuma sentir mais e parece-me que aqui também será o caso.

Foste escolhido para fazer parte de um grupo de jovens conselheiros do presidente da República, sem ligações a partidos políticos. Como é ser conselheiro do nosso atual presidente?
É uma grande honra. Foi a participação no Grupo de Reflexão Sobre o Futuro de Portugal que despertou em mim esta vontade de participar mais de alguma forma no debate público e dessa vontade nasceu o Despolariza. Uma das melhores partes do grupo são os novos amigos que lá fiz e a honra de também os ouvir a eles – sempre a aprender!

Que ajuda humanitária gostarias de poder ainda desenvolver? O que é que ainda há por fazer?

Gostaria de fazer alguma coisa na área da solidão. Há muita gente com alguma idade a viver sozinha e sem grande motivação para fazer o que quer que seja. Gostaria também de espalhar mais a ideia do Altruísmo Eficaz como já tenho vindo a fazer desde 2016.

Acompanhe o trabalho do Tomás Magalhães AQUI.